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Produtores da Índia ampliam pressão por apoio do governo

Milhares de produtores da Índia realizaram ontem uma grande manifestação em Nova Déli, a capital do país, para pressionar o governo a conceder mais apoio ao setor rural. O protesto aconteceu mesmo após o recente anúncio de um pacote de subsídios a diversas culturas, incluindo cana. Parte dos agricultores tentou romper barricadas policiais com tratores, e policiais reagiram com bombas de gás lacrimogênio e jatos d’água. Diversos produtores ficaram feridos.

De acordo com informações de agências internacionais, os produtores reivindicam, entre outras medidas, o perdão de dívidas, o aumento dos preços mínimos, a redução dos custos com energia elétrica e combustíveis e o pagamento pela cana-de-açúcar fornecida às usinas, que está atrasado.

Para tentar acalmar os ânimos, o governo recebeu porta-vozes dos produtores e aceitou conceder alguns dos pedidos apresentados, mas não se comprometeu com o perdão de dívidas nem com o aumento de preços mínimos.

A situação é particularmente delicada porque, em meio à pobreza no campo, a Índia vive uma crise de suicídios entre produtores e trabalhadores rurais que já dura anos. Segundo dados oficiais citados pelo jornal "Indian Express", 6.351 agricultores se suicidaram no país em 2016.

No segmento canavieiro, o descontentamento dos agricultores neste momento torna complicada a situação do governo indiano, que também está sofrendo pressões no front externo por causa dos subsídios recém-anunciados para incentivar as exportações de açúcar, incluindo apoio à exportação de 5 milhões de toneladas. Na sexta-feira, associações de produtores de açúcar de oito países – entre os quais o Brasil -, defenderam que seus governos acionem a Índia na Organização Mundial do Comércio (OMC).

A Índia também passou a ser alvo da pressão americana. Em discurso na segunda-feira, o presidente americano Donald Trump disse que o governo da Índia era o "rei das tarifas", mas acrescentou que o país se dispôs a iniciar negociações sobre um acordo.

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico