Clipping

Produtores rurais investem em tecnologia via satélite para combater queimadas na região de Ribeirão Preto

Monitoramento é feito 24 horas e auxilia na comunicação aos produtores e vizinhos. Número de focos de incêndio no estado de São Paulo é o maior dos últimos sete anos.

Uma associação de plantadores de cana do oeste do estado, com base em Sertãozinho (SP) e abrangência na região de Ribeirão Preto (SP), tem investido em tecnologia para combater as queimadas. O monitoramento é feito 24 horas por satélite e cobre uma área de 130 mil hectares, que abrange 80 cidades. No estado de São Paulo, o número de focos de incêndio é o maior em sete anos.

No sistema, uma sirene alerta e o mapa mostra a localização exata do fogo e a direção do vento.

"Os focos de incêndios acontecem por três indicadores: existe a questão de temperatura, a de umidade relativa e vento. Este ano é um ano propício, um ano que climaticamente está mais favorável, o que faz com que os focos aconteçam com mais frequência", afirma Almir Torcato, gerente da associação Canaoeste.

Quando o monitoramento localiza um foco de incêndio, a comunicação é feita para quem possui uma equipe de combate mais próxima e também usinas, vizinhos e proprietários da lavoura.

"A gente consegue traçar um plano de prevenção de incêndio para que o proprietário rural, nessas áreas especificas, tenha condições de se antecipar ao eventual foco de incêndio e se, possivelmente, esse foco de incêndio acontecer, já tenha uma estrutura pronta para apagá-lo mais rapidamente", explica o gestor ambiental da associação, Juliano Bortoloti.

Torcato destaca, ainda, que os incêndios não são propositais, já que a queima como prática de colheita não é mais praticada.

Estado tem aumento de focos
De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), no estado de São Paulo foram 1.932 focos de janeiro a julho, número 32% maior do que o mesmo período de 2017.

Em 90% dos casos, os alvos das queimadas são áreas rurais, que incluem matas, plantações e vegetações, por exemplo. O estado é o oitavo do Brasil em número de ocorrências.

As margens de rodovias concentram um número maior de incêndios e são áreas críticas. Muitas vezes a visibilidade dos motoristas acaba prejudicada.

Prejuízo na plantação
A queimada em áreas de plantação de cana-de-açúcar, por exemplo, afeta a próxima safra, com falhas na brotação da área, e permite o crescimento de plantas daninhas.

"Pode ser que não vá ter uma longevidade interessante nessa área", afirma o engenheiro agrônomo Thiago Verri.

"O fogo realmente impacta direto na parte financeira do produtor de cana", completa Torcato.

Para produtores que são beneficiados pelo monitoramento, a tecnologia permite mais tranquilidade. Em muitos casos, eles não moram nas propriedades, mas nas cidades.

"Isso nos deixa, produtores de cana, muitos seguros da nossa propriedade e dos nossos produtos que temos plantados", diz Ermínia Fátima Rossanez Neves, produtora.


Fonte: Portal G1