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Programa que certifica "etanol verde" atrai 17 usinas sucroenergéticas de MS

Postado em 16 de Janeiro de 2020

Considerado um dos maiores projetos de descarbonização do mundo, o RenovaBio deve elevar produção no País

O setor sucroenergético sul-mato-grossense aposta que 2020 será marcado como o ano que possibilitará, por meio do Programa Renovabio, a retomada do crescimento da produção desse biocombustível. O início do Programa foi estabelecido para este mês, e muitas das decisões necessárias para a sua implantação já foram tomadas ou estão em andamento. No Estado das 19 usinas de produção de etanol, 17 já se inscreveram no programa.

De abril a dezembro, a produção de etanol em MS somou 3,1 bilhões de litros, volume 1,8% acima com relação ao mesmo período da safra passada. Desse montante, 2,5 bilhões de litros são de etanol hidratado (+7%) e 637 milhões de litros são de etanol anidro (-15%).

A produção do açúcar permanece abaixo do ciclo passado. De acordo com os dados da Biosul, foram produzidos 724 milhões de toneladas do alimento, uma diferença de 21%.

Para obter a certificação as usinas passam por uma avaliação rigorosa que avalia o ciclo de produção dos biocombustíveis considerando a intensidade de carbono emitida nas áreas agrícola, industrial e de distribuição, incluindo o transporte em veículos dentro das usinas. A auditoria das informações é feita por firma inspetora autorizada pela ANP, que faz a validação em período de consulta pública e por fim emite o certificado RenovaBio com uma nota final para a unidade produtora. Apesar de ser um programa com adesão voluntária, mais de duzentas usinas já se inscreveram no processo de certificação no País.

O presidente da Biosul, Roberto Hollanda Filho, destaca que o programa deve fortalecer ainda mais o setor sucroenergético, que faz do Estado um dos maiores produtores de etanol do País. “O RenovaBio vem ao encontro da política de sustentabilidade que já é a marca do setor, ou seja, produzimos biocombustível limpo, renovável e sem desmatar, fatores que qualificam nossas unidades a buscarem a certificação do programa”, ressalta. Em maio de 2019, Mato Grosso do Sul foi sede de uma das edições do RenovaBio Itinerante, realizado pela ANP em vários estados brasileiros, onde as usinas receberam orientações para iniciarem o pedido de certificação no órgão.

Hollanda explica que um dos diferenciais do programa é o estímulo de uma produção cada vez mais eficiente e sustentável sem tratar de imposto, subsídio ou crédito presumido. “O programa é inovador nesse sentido, já que não gera ônus para o produtor que passa a ter uma renda a mais ao produzir biocombustível”, explica.

Considerado um dos maiores projetos de descarbonização do mundo, o RenovaBio representa um novo momento para o setor sucroenergético “que além de tudo é estratégico, já que reduz a necessidade do País em importar derivados do petróleo”, aponta o presidente da Biosul.

“Entendemos como uma política de Estado que não só reconhece a importância dos biocombustíveis na matriz energética, mas traz previsibilidade de mercado para a próxima década dando maior segurança para um novo momento de investimentos no setor”, afirma.

Aposta – A aposta no crescimento do setor por meio do programa também foi reforçada pelo secretário de Estado de Meio Ambiente e Produção Jaime Verruck, da Semagro. “Estamos com boas perspectivas já tem 17 usinas que entraram no RenovaBio das 19 existentes. Então nosso foco é neste programa. Isso implica na melhoria da produtividade da cana. Já temos ai vários projetos de expansão da área de cana para usar uma capacidade ociosa já instalada”, explicou.

Outro ponto que deve ser trabalhado está na busca por diversificação da matriz. “Este ano esperamos mais uma usina se instalando em MS e queremos avançar nas tratativas de etanol de milho”, concluiu Verruck.

Como funciona - O RenovaBio vai certificar as unidades produtoras de biocombustível, por meio de firmas inspetoras e validado pela ANP. A certificação garante uma Nota de Eficiência Energético-Ambiental sobre o processo de produção da usina, ou seja, quanto mais produzir biocombustível com menor emissão de CO2e na área agrícola e industrial maior será a nota da unidade.

Junto a esse processo de certificação das unidades produtoras, o programa tem metas nacionais de redução de emissões para a matriz de combustíveis que prevê a retirada de 600 milhões de toneladas carbono da atmosfera, conforme propõe o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A metas nacionais serão desdobradas em metas individuais para o segundo agente da cadeia que são as distribuidoras de combustíveis.

A partir da nota de eficiência da unidade produtora será gerado Crédito de Descarbonização por Biocombustíveis (CBIO), que será uma moeda no mercado financeiro e, obrigatoriamente, terá de ser adquirido pelas distribuidoras em um volume calculado a partir das emissões de combustíveis fósseis que cada uma comercializa, com base nas metas definidas pela ANP. Outros agentes como pessoas físicas e jurídicas poderão comprar e vender CBIOs na bolsa.

O presidente do Conselho Deliberativo da Biosul, Amaury Pekelman, destaca que neste primeiro ano de funcionamento, o programa deve avançar em três frentes simultaneamente. “A habilitação das unidades produtoras é prioridade. Paralelamente, teremos uma curva de aprendizado em relação ao fluxo no Serviço Federal de Processamento de Dados para que o estoque de CBios comece a se formar. Por fim, produtoras de biocombustíveis e distribuidoras de combustíveis fósseis precisarão definir suas estratégias de comercialização e a interface com as instituições financeiras, avalia.

 


Fonte: Campo Grande News