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Projeto Campo Futuro aponta indicadores de produção de cana-de-açúcar, pecuária de leite, aves e suínos

Postado em 13 de Novembro de 2020

Brasília – A programação do 6º Seminário Nacional do Projeto Campo do Futuro da tarde de quinta (16) detalhou os resultados dos levantamentos dos custos de produção das cadeias de cana-açúcar, pecuária de leite e de aves e suínos, realizados em 2020.

Os dados apresentados foram coletados ao longo deste ano em painéis online, promovidos pelo Sistema CNA/Senar e instituições parceiras do projeto, com a participação de produtores rurais, técnicos especialistas e representantes de federações de agricultura e pecuária e de sindicatos de produtores rurais.

Cana-de-açúcar - O comportamento do custo de produção da cana-de-açúcar na safra 2020/2021 e as expectativas para o mercado sucroenergético em 2021 foram compartilhados em um painel moderado pelo presidente da Comissão Nacional de Cana-de-açúcar da CNA, Enio Jaime Fernandes Júnior.

“O cenário atual de preços é positivo e o cenário futuro parece que também será. Os produtores rurais precisam estar atentos para a gestão, melhorando a eficiência técnica e produtiva. Além disso, é preciso gerenciar os riscos, pois o produtor não controla preço. Então se deve focar em produtividade e no gerenciamento dos custos de produção. Para isso, a orientação técnica é fundamental”.

A relevância da gestão do processo produtivo foi reforçada pelo coordenador de projetos de Assistência Técnica e Gerencial (ATeg)do Senar, Alexandre Gessi.

“As informações levantadas pelo projeto Campo Futuro vão permitir que os produtores tomem melhores decisões, considerando o gerenciamento do custo da produção. Esse é um excelente caminho. O produtor necessita de acompanhamento e observamos ótimos resultados por meio da ATeG.”, ponderou.

O professor do Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas (Pecege), da Esalq/USP, João Rosa, expôs os indicadores técnicos de área, produtividade, longevidade do canavial, produção total e a produtividade de Açúcar Total Recuperável (ATR) coletados em 11 painéis realizados em municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Goiás, Mato Grosso, Alagoas e Pernambuco. Em relação a safras anteriores a produtividade vem aumentando. O especialista mostrou que a região Centro-Sul possui produtividade média de 11,41 toneladas de ATR por hectare e a região Nordeste com uma média de 7,81 toneladas de ATR por hectare.

Em sua apresentação, o consultor de gerenciamento de risco da empresa de serviços financeiros StoneX, Murilo Aguiar, falou sobre as perspectivas de mercado para o açúcar e o etanol.

Leite - A bovinocultura de leite foi analisada no painel “Panorama dos custos de produção do leite em 2020 e como o produtor deve se preparar para 2021”, moderado pelo presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA, Ronei Volpi.

Na opinião dele, as informações levantadas pelo Campo Futuro demonstram a importância do planejamento estratégico dentro da atividade leiteira. “É uma das mais complexas do agro e exige profissionalismo. Fica muito clara a questão da produtividade e da escala de produção em relação à rentabilidade e sustentabilidade da propriedade”, afirmou.

O pesquisador do Cepea/Esalq/USP, Caio Monteiro, apresentou os resultados dos painéis realizados em 12 municípios da Bahia, de Goiás, de Mato Grosso e de São Paulo neste ano. Os estudos apontaram números sobre as variações de margens e lucratividade, receita do leite nas propriedades, produtividade da mão de obra e composição dos custos, entre outros.

“A alimentação dos animais segue sendo um gargalo muito grande. É preciso revisar algumas coisas como tamanho de rebanho e fazer compras programadas. Produtores pequenos e médios devem optar pela produção de forragem. Com esse custo mais controlado, o produtor consegue manter a sua produtividade em um nível satisfatório”, disse.

Os cenários para o mercado lácteo brasileiro na safra 2020/2021 foram trazidos pelo engenheiro agrônomo do MilkPoint, Valter Galan. Segundo ele, fatores como a seca no Sul, chuvas “erráticas” no Sudeste e Centro-Oeste, os elevados custos de milho e soja e a queda de preços do leite devem levar a uma desaceleração da produção no final de 2020. Para 2021, Galan prevê um elevado e “inédito” nível de incerteza no mercado.

Nesse contexto de indefinições, a assessora técnica da ATeG do Senar, Júlia Carolina Barros, reforçou o trabalho essencial desenvolvido pelos técnicos de Assistência Técnica e Gerencial da entidade em quase 36 mil propriedades de 23 estados brasileiros.

“Apesar de a renda ter aumentado, o custo de produção também subiu e a margem ficou mais estreita. Precisamos trabalhar com o produtor essa variação e buscar alternativas para mantê-lo na atividade. Ele tem que saber onde pode fechar a torneira e o que está sendo gasto para tomar a decisão certa”, declarou.

Aves e suínos – O cenário dos custos de produção para avicultores e suinocultores em 2020 e o que o mercado reserva para o próximo ano foi debatido no encerramento do evento.

O consultor da Labor Rural, Paulo Paiva, detalhou os custos de produção do Campo Futuro 2020 para as duas cadeias produtivas a partir de encontros em 11 cidades de Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais. Na avicultura de corte, os painéis foram sobre frango griller e frango pesado e sistema produtor de ovos férteis, todos no sistema de produção integrado. O sistema vertical terminador, o sistema produtor de leitões e o ciclo completo de suínos fizeram parte dos levantamentos da suinocultura. Os números apontaram custos operacionais, taxa de retorno do capital e lucratividade, entre outros.

“É um levantamento muito criterioso e que traz números preocupantes, especialmente na avicultura integrada. Isso coloca em risco a sustentabilidade dos produtores que estão nessa atividade. O Campo Futuro serve como sensibilização para as pessoas buscarem informações e consolidarem esses conceitos”, disse o presidente da Comissão Nacional de Aves e Suínos da CNA e moderador do debate, Iuri Pinheiro.

Pontos como os preços de milho e farelo de soja e relações de troca entre suíno e frango, dinâmica dos preços das carnes, o papel da China no atual mercado de carnes e o cenário do comércio internacional em 2021 foram analisados pelo consultor de mercado da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (ASEMG), Alvimar Jalles.

A última palestra do 6º Seminário Nacional do Projeto Campo Futuro teve como tema as ações de Assistência Técnica e Gerencial para avicultores e suinocultores. Conforme a assessora técnica da ATeG Senar, Jéssica Neri Nascimento, são 1.100 propriedades atendidas e sete mil visitas técnicas já realizadas.

“A ATeG promove melhorias na estrutura física e organizacional e no manejo sanitário, além de oferecer alternativas para a redução dos preços dos insumos e incentivar o associativismo. A expectativa é ampliar as ações em 2021 e trazer ainda mais segurança, renda e produtividade para esses produtores”.

Para obter os detalhes sobre os resultados dos levantamentos dos custos de produção da cadeia da cana-de-açúcar, pecuária de leite e aves e suínos, reveja o Seminário do Projeto Campo Futuro no site.

 


Fonte: CNA Brasil