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Projeto no Paraguai incentiva biodiesel

A ECB Group, holding de investimentos do empresário brasileiro Erasmo Battistella, e o governo do Paraguai assinaram ontem um memorando de entendimento para a construção de um complexo de biodiesel que deve totalizar investimentos de US$ 800 milhões.

Em entrevista ao Valor, Battistella afirmou que o fundo para os investimentos ainda está em construção. "Serão recursos próprios, do mercado e de possíveis sócios", disse ele, sem fornecer detalhes.

O complexo, batizado de Ômega Green, abrigará a primeira planta de combustíveis renováveis de segunda geração do Hemisfério Sul a partir de óleo de soja. A produção terá como principal destino a aviação civil e militar para os mercados dos EUA e Europa.

De acordo com o empresário, a escolha pelo Paraguai levou em consideração a rapidez de aprovação ambiental para novas construções, o custo da energia elétrica e a disponibilidade de soja. O complexo terá capacidade de produção diária de até 16,5 mil barris de biodiesel e querosene renovável, volume suficiente para atendimento de mais de um terço do consumo paraguaio de diesel, afirmou ele.

"O Paraguai produz hoje cerca de 10 milhões de toneladas de soja e destina a metade para o mercado externo", disse Battistella. O complexo precisará de 2 milhões de toneladas anuais de soja para processar. "Além disso, há a perspectiva de aumento da produção paraguaia da oleaginosa", acrescentou ele.

Nos próximos dez meses, o trabalho será a busca por investidores para financiar o projeto. Se tiver sucesso, a construção começará em 2020 e deverá durar dois anos, de acordo com o empresário. "Daqui dez meses lançaremos a pedra fundamental e, se tudo der certo, as operações começarão no início de 2022", afirmou o empresário.

A holding do empresário também tem produção de biodiesel no Brasil. A princípio, as operações nos dois países permanecerão independentes. "São combustíveis diferentes também. No Paraguai, produziremos o ‘greendiesel’. É um combustível mais avançado que quase não emite gases de efeito estufa", explicou.

Outro ponto que deve ser considerado, ponderou Battistella, é que no Brasil a holding tem como sócia a Petrobras, que não tem interesse nos investimentos no país vizinho. No Brasil, a ECB produz 580 milhões de litros de biodiesel por ano.

Por Kauanna Navarro

 

 

 

 


Fonte: Valor Econômico