Clipping

Proteína orgânica pode aumentar em quase 20% produtividade da cana

Postado em 16 de Outubro de 2019

Patenteada nos Estados Unidos em 1992, a proteína Harpin chegou ao Brasil em 2016 e foi testada nos canaviais da Coplacana

Com a proposta de aliar ganho de produtividade e sustentabilidade, pesquisadores têm se dedicado à utilização da proteína Harpin em diferentes lavouras do mundo. Patenteada nos Estados Unidos em 1992, ela foi trazida ao Brasil em 2016 com o nome comercial de H2Copla pelo engenheiro agrônomo Rodrigo de Miranda, em parceria com a Coplacana.

Miranda explica que a tecnologia estimula o desenvolvimento e a produção de plantas ao ativar seu potencial fisiológico. “Com isso, ela desenvolve suas raízes mais profundas, absorvendo mais e melhor os nutrientes, crescendo mais forte, com maior amplitude e resistência. É como se fosse vacina orgânica completa”, diz ele.

A proteína orgânica foi descoberta e patenteada pela norte-americana Plant Health Care, mas Miranda conta que enxergou potencial em sua aplicação na agricultura brasileira. Mestre em Fitotecnia, ele relata ter convencido a empresa a testar o produto, pulverizando-o sobre quatro campos de cana-de-açúcar, na região de Piracicaba (SP).

Miranda garante que há áreas que têm a Harpin aplicada há 3 anos e, em 60 dias, os primeiros resultados puderam ser vistos. Ele também relata que, onde se aplicou a proteína, houve ganho de produtividade mesmo sem renovação do canavial.

Outro relato que indica eficácia da H2Copla é de Gilmar Morais, supervisor agrícola da Usina Furlan, também localizada na região de Piracicaba (SP). Segundo ele, enquanto a média nesses locais seria de 92 toneladas por hectare, ele chegou a 110.

“Avaliamos que a cana se revigorou como se estivesse no corte anterior. Nunca vimos uma intensidade igual ou parecida. Mesmo diante dos problemas climáticos, aumentamos em 20% o ganho de produtividade”, revela Morais.

Já para o produtor Odair Novelo, a produtividade por hectare aumentou de 70 para 90 toneladas. “Surpreendeu porque vimos a diferença no visual, com a vegetação maior, mais verde e sentindo menos o estresse hídrico. Começamos em 2 hectares. Hoje temos mais de 1.000 hectares e pretendemos aumentar essa área”, diz Novelo.

Com base nas avaliações que fez nos canaviais da Coplacana, a Plant Health Care garante que houve incremento significativo de produtividade. Em média, o rendimento foi 23% tanto em TCH (tonelada de cana por hectare) quanto em TAH (tonelada de açúcar por hectare).

“É um produto que eleva a produtividade das lavouras. Nosso maior objetivo é sempre trazer para os cooperados algo que torne a cultura mais rentável. O produto não tem resultado apenas no primeiro corte. O obtido até aqui torna a cultura muito mais rentáveis”, completa Arnaldo Antonio Bortoletto, presidente da Coplacana.

No Brasil, a proteína foi testada apenas na cana-de-açúcar, até o momento. Responsável por trazê-la para o mercado brasileiro, Rodrigo de Miranda afirma, no entanto, que ela pode ser utilizada em diversos cultivos, dos laranjais da Flórida (EUA) às plantações de macadâmia da África do Sul.

 

Fonte: Globo Rural