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Rabobank eleva estimativa para déficit global de açúcar em 2019/20

Postado em 27 de Março de 2020

O Rabobank elevou sua estimativa para o déficit global de açúcar na safra internacional atual (2019/20) em 1,5 milhão de toneladas, para 6,7 milhões. Já para a próxima temporada, que começará em outubro, o banco holandês prevê um superávit de oferta de 600 mil toneladas.

A perspectiva de uma oferta mais apertada na safra atual se baseia em projeções menores para a produção da Índia e da Tailândia, que só foram parcialmente compensadas pela perspectiva de uma safra mais açucareira no Brasil.

Na Índia, a produção desta safra deverá ser 19% menor do que na safra passada e ficar em 28,9 milhões de toneladas. Porém, como os reservatórios de água estão melhores no país depois de boas monções em 2019, o banco estima que a produção deverá se recuperar no próximo ciclo e subir para 33,5 milhões de toneladas, colaborando para o cenário de superávit global na próxima temporada.

A Tailândia deverá terminar esta safra com uma produção de 8,6 milhões de toneladas, uma queda de 44% ante a safra 2018/19. Já para a próxima temporada, o Rabobank prevê apenas uma pequena recuperação por causa dos prejuízos ainda decorrentes da última seca e da falta de incentivos aos produtores.

A menor produção desses dois países na safra atual tende a ser parcialmente compensada pelo aumento da produção do Centro-Sul do Brasil, que deverá fabricar, na safra local (que começará em abril) 35 milhões de toneladas do adoçante, dado um mix estimado em 45% (ante 34,5% na safra anterior). A perspectiva é baseada na manutenção do atual cenário de preços do petróleo, decorrente da guerra de mercado deflagrada pela Arábia Saudita.

“Se o Brent permanecer próximo de US$ 30 o barril, a média de preços de etanol no Estado de São Paulo alcançaria apenas o equivalente em açúcar a 11 centavos de dólar a libra-peso. Logo, qualquer preço mundial de açúcar acima desse nível pode encorajar mais produção de açúcar no Brasil, às custas da produção de etanol”, avaliou o banco, em relatório.

A instituição prevê, ainda, queda na produção da China na safra atual por causa da redução de área e de produtividade e, para a próxima, projeta uma queda decorrente dos impactos da pandemia de covid-19, que já afetou os trabalhos de plantio e a logística.

Na Europa, a produção deverá se recuperar na próxima safra (2020/21), para 18,3 milhões de toneladas, com a recuperação da produtividade, enquanto na Austrália a produção tende a ficar estável no próximo ciclo, em cerca de 4,2 milhões de toneladas.

A conta do Rabobank para o déficit de oferta nesta safra já considera o impacto do coronavírus na demanda global por açúcar. Na visão do banco, a pandemia pode afetar o consumo nos países mais afetados pelo vírus, resultando em uma demanda global estável, ao invés de registrar um crescimento de 1%.

“Nós acreditamos que perdas na demanda do food service pode ser compensada por um aumento no varejo e por uma possível mudança em direção a um maior consumo de comida processada, às custas de alimentos frescos, dada a situação atual”, disse o banco. No momento, o Rabobank prevê que o consumo de açúcar global deve voltar ao crescimento “normal” na safra 2020/21.


Fonte: Valor Econômico