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Raízen Energia volta ao azul

Postado em 14 de Novembro de 2019

Após iniciar a safra 2019/20 com prejuízo no primeiro trimestre, a Raízen Energia, divisão sucroalcooleira da joint venture entre Cosan e Shell, voltou ao azul e tem a expectativa de que seus resultados serão ainda melhores na segunda metade do ciclo. A companhia teve lucro líquido de R$ 79,6 milhões de julho a setembro, ante um prejuízo líquido de R$ 71,5 milhões um ano antes.

A receita da divisão sucroalcooleira da Raízen, que incluiu os negócios de comercialização de energia da trading WX, cresceu 41,2% na comparação anual, para R$ 7,7 bilhões. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado aumentou 31,3%, para R$ 850,3 milhões.

O avanço da receita foi impulsionado pelo aumento do volume de vendas de etanol e pelos melhores preços tanto do etanol como do açúcar. A receita com o biocombustível cresceu 47,5%, para R$ 3 bilhões. Já as vendas de açúcar renderam R$ 593,6 milhões, um recuo de 39,7% na comparação anual, mas em razão da estratégia de comercialização do produto ao longo da safra.

No primeiro trimestre, a Raízen já havia segurado a comercialização de açúcar, embora venha mantendo as vendas de etanol em alta, acompanhando a demanda doméstica aquecida. No acumulado dos dois primeiros trimestres da safra, o Ebitda ajustado somou R$ 1,3 bilhão, aumento de 9,6% ante o mesmo período do ciclo anterior.

No segundo semestre da safra, as vendas de açúcar deverão deslanchar e as de etanol tendem a surfar a onda do aumento sazonal de preços, melhorando os resultados, indicou Phillipe Casale, gerente executivo de relações com investidores da Cosan, em teleconferência com analistas.

"O aumento da capacidade de armazenagem elevou nossa flexibilidade para comercializar açúcar, mirando os contratos [na bolsa de Nova York] quando o retorno faz mais sentido e alinhado a nossa estratégia de hedge", explicou.

No trimestre, a moagem de cana cresceu após chuvas atrasarem os trabalhos no início da temporada. Desde o começo da safra, já foram moídas 47,4 milhões de toneladas de cana, um incremento de 2% na comparação anual, com aumento da produtividade no segundo trimestre. A expectativa, segundo Casale, é que a moagem alcance 61 milhões de toneladas.

Com isso, Casale disse que a Cosan espera que o Ebitda da Raízen Energia nesta safra fique entre R$ 3,4 bilhões a R$ 3,6 bilhões - a estimativa oficial é de um resultado de até R$ 3,8 bilhões.

O volume de açúcar a ser comercializado nos próximos trimestres é 41% maior que um ano atrás - somava quase 2 milhões de toneladas no fim de setembro. Já no caso do etanol, havia 1,237 bilhão de litros, 8,4% a menos que há um ano.

O negócio de cogeração de energia só teve melhor desempenho por causa das operações de trading, uma vez que a Raízen Energia reduziu a quantidade de energia própria cogerada e os preços no mercado físico caíram.

Os investimentos em bens de capital (Capex) cresceram 16% em relação ao segundo trimestre de 2018/19, para R$ 541 milhões.

 


Fonte: Valor Econômico