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Raízen renova aporte em maquinário

Postado em 8 de Abril de 2021

Maior companhia que atua no setor sucroalcooleiro, a Raízen, joint venture entre Cosan e Shell, investiu, em uma só tacada, R$ 345 milhões para começar a safra 2021/22 com 509 novos equipamentos e caminhões agrícolas em campo. Alguns dos novos veículos chegam aos canaviais com tecnologias desenvolvidas pelas fabricantes com colaboração da própria Raízen

Os equipamentos deverão atender cerca de um terço de toda a área de cana própria da Raízen, que soma 350 mil hectares. Com as novas tecnologias embarcadas, a companhia espera reduzir em 2 milhões de litros seu consumo anual de diesel. O combustível é hoje o principal componente de custos da Raízen e representa cerca de 25% dos gastos operacionais.

A principal novidade dessa atualização de frota é a contratação de 125 caminhões semiautônomos da Mercedes. Projetados especificamente para operarem entre as linhas de cultivo de cana, os veículos contarão com tecnologia desenvolvida com apoio da Grunner, empresa de inovação em equipamentos agrícolas.

Esses caminhões vão substituir 140 tratores usados nas linhas de cana para as operações de transbordo. Essa é a etapa em que os toletes da cana são levados aos caminhões que fazem o transporte da matéria-prima para a usina.

Para que os caminhões operem dentro do desenho agrícola das linhas de cana, a largura de seus eixos foi adaptada. Com as mudanças, as rodas não passam por cima das plantas recém-colhidas e, assim, não inviabilizam a rebrota da cana para os anos seguintes.

Os caminhões também foram adaptados para acompanhar o ritmo das colhedoras. A velocidade é de 2,5 quilômetros a 4 quilômetros por hora, faixa em que os caminhões em geral não rodam.

Os caminhões receberam ainda um sistema de geoposicionamento, que já é utilizado nos tratores e que permite que o veículo ande sozinho em linha reta, percorrendo uma rota pré-determinada com apoio de GPS. Nesses equipamentos, a atuação humana só é necessária nas manobras.

Essa parte da renovação de frota já deverá permitir à Raízen diminuir seus gastos e aumentar sua produtividade, segundo Rodrigo Morales, gerente de operações agrícolas da companhia. Apenas esses caminhões consomem 40% menos diesel, afirma.

Para os demais equipamentos, a Raízen contratou os fabricantes John Deere para as colhedoras, a Volvo para caminhões canavieiros e a Fachini, que forneceu as carretas para cana. Todos os novos equipamentos já estarão conectados com o “Pentágono”, a central de operações remotas da Raízen, que monitora o desempenho das máquinas em todas as usinas em todas as usinas em tempo real e que agora também monitora indicadores de manutenção das máquinas.

Do investimento para esta safra, parte dos equipamentos foi adquirida diretamente, mas a maior parcela é licenciada com contratos de leasing com a Ouro Verde, de locação de frotas agrícolas. Dos equipamentos próprios da empresa que estão sendo substituídos, parte é desmontada e se torna fonte de peças de reposição, e as demais que não estão mais em condições de uso vão para leilões de sucata. Já os tratores que estão sendo substituídos serão vendidos via leilão.

O gerente ressaltou que a Raízen manteve seus investimentos na área agrícola mesmo em meio às incertezas que surgiram com as novas ondas da pandemia. “Em nenhum momento nos questionamos se deveríamos parar o investimento. Sempre continuamos investindo em nossas linhas de pesquisa, em desenvolvimento de equipamentos”, disse.

 


Fonte: Valor Econômico