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Raízen vai inaugurar sua primeira planta de biogás

Postado em 15 de Outubro de 2020

A fábrica é a primeira no mundo em escala comercial a utilizar a tecnologia de conversão da torta de filtro e vinhaça como matérias-primas para fabricação de biogás e geração de energia elétrica

Está prevista para ocorrer, nesta sexta-feira, 16, a inauguração oficial da planta de biogás da Raízen. A planta teve sua pedra fundamental lançada em 23 de agosto de 2018, e se apresentou como o maior projeto de biogás do mundo e o primeiro do segmento canavieiro. Em abril de 2020 iniciou suas as atividades em caráter experimental.

Líder na produção de açúcar e etanol no país, a Raízen, com a fábrica de biogás, consolida de vez seu posicionamento como player integrado de bioenergia. A companhia – que já possui 1GW de capacidade instalada de produção de energia elétrica a partir do bagaço, comercializando anualmente 3,9 TWh dessa energia – passará, a partir da conclusão do projeto, a utilizar também a torta de filtro e a vinhaça para geração de eletricidade.

A capacidade instalada será de 21MW e o potencial de produção de 138 mil MWh por ano, suficiente para iluminar uma cidade de 240 mil habitantes. A partir de 2021, 96 mil MWh serão vendidos dentro de um contrato de leilão de 2016 – realizado pela Aneel -, no qual a Raízen foi a vencedora, e o excedente poderá ser negociado no mercado livre ou comercializado por meio de outros contratos.

A planta foi instalada em uma numa área de 30 hectares localizada ao lado da indústria, da subestação de energia e das redes de transmissão da Unidade Bonfim, localizada em Guariba, SP, – segunda maior em processamento da Raízen. De acordo com a Raízen, a unidade foi escolhida a dedo para o projeto. Atualmente, a Bonfim exporta 300 mil MWh para o grid. O dobro de energia que será produzida pela planta de biogás. Entretanto, haverá uma sinergia fundamental entre os processos. Os motogeradores de biogás injetarão 138 mil MWh nessa subestação, que está pronta, funcionando e já conectada ao grid.

A fábrica é fruto de uma joint venture formada entre a Raízen, que terá participação de 85%, e a Geo Energética, detentora dos outros 15%. A Geo é uma empresa brasileira que desenvolveu a tecnologia e, desde 2012, mantém uma usina a biogás de menor escala no noroeste do Paraná.

CO-PRODUTOS A CANA GERAM O BIOGÁS

Resultante da purificação do caldo da cana, a torta de filtro é composta por 70% de água, 18% de matéria orgânica e 12% de outros sólidos. Já a água restante do processo de destilação do etanol é chamada de vinhaça, composta por 95% de água, 3% de sais e 2% de carga orgânica. Juntos, esses resíduos são os combustíveis da nova planta da Raízen. Durante os 365 dias do ano, a unidade irá produzir biogás a partir da torta – passível de ser armazenada. Já a vinhaça será utilizada apenas durante os meses de safra.

A planta conta com dutos e esteiras que levam, respectivamente, a vinhaça e a torta de filtro até os biodigestores. A matéria orgânica presente nos resíduos será transformada em biogás pela ação de bactérias anaeróbicas. O gás produzido vai para a superfície dos biodigestores, sendo levado em dutos até os motogeradores, aonde o biogás é queimado, gerando energia elétrica. Para a geração de 1 megawatt (MW) no modelo da planta que está sendo erguida, são necessárias 9 mil toneladas de torta de filtro e 100 milhões de litros de vinhaça.

Parte desse gás ainda poderá ser utilizado para produzir biometano. Uma vez purificado e comprimido, tem potencial para substituir o diesel em tratores e caminhões. Para cada metro cúbico de diesel substituído por gás, o custo é 50% menor.

BIOMETANO VAI REDUZIR A PEGADA DE CARBONO DA RAÍZEN

Essa substituição reduzirá também a pegada de carbono do processo produtivo do etanol da Raízen, o que a credenciaria a comercializar mais certificados de biocombustíveis (CBios). Dados preliminares da RenovaCalc apontam que o biometano reduz em 96% as emissões de CO², sem contar a diminuição de emissão de partículas poluentes, e chega a ser 90% inferiores em comparação aos combustíveis fosseis. Estimativa feita pela Raízen indica que, se toda a frota da Unidade Bonfim for adaptada e todo o consumo migrar para o biometano, a pegada de carbono do etanol da unidade seria 20% inferior à atual.

No lançamento da pedra fundamental da fábrica de biogás, o presidente da Raízen, Luís Henrique Guimarães, ressaltou que essa planta de biogás anexa à Unidade Bonfim seria a primeira de muitas outras que deverão ser instaladas pela companhia num futuro próximo. “Demos o primeiro passo. Vamos aprender com essa planta para que as próximas sejam ainda melhores, produzindo mais energia com mais produtividade”, disse.

Que muitas outras plantas de biogás da Raízen se tornem realidade.

 


Fonte: CanaOnline