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Real em baixa ameniza crise das unidades sucroenergéticas que produzem açúcar

Postado em 7 de Maio de 2020

As unidades sucroenergéticas que têm a flexibilidade de mudar o mix de produção para açúcar ou etanol, aproveitando as tendências do mercado, passam melhor pelas crises

A inconstância do mercado faz com que muitos especialistas no setor sucroenergético defendam a tese de que: as usinas que têm a flexibilidade de mudar o mix de produção para açúcar ou etanol, aproveitando as tendências do mercado, passam melhor pelas crises. Ou seja, é importante que a indústria tenha fábrica de açúcar e destilaria, quando o açúcar está em alta, mais cana segue para a produção do adoçante, quando a remuneração é maior do etanol, maior volume de matéria-prima é destinado para a produção do combustível.

Após dois anos de etanol valorizado, o que resultou em um mix alcooleiro com proporção média de 65% de cana direcionada para o etanol, a safra 2020/21 terá um mix mais equilibrado, com a expectativa de que 46% da cana produzida seja destinada ao açúcar, este número não é maior, porque nem toda unidade sucroenergética tem fábrica de açúcar. Estas estão sofrendo mais com a atual crise provocada pela queda do preço do petróleo e exacerbada pela pandemia do novo coronavírus.

O açúcar também sentiu a pandemia, mas a valorização do Dólar tem amenizado a crise. De acordo com os analistas de agro do Itaú-BBA, mesmo com o alta volatidade do mercado oriunda do choque de preços do petróleo, em abril, o contrato de 1º vencimento do VHP fechou o mês cotado a 10,39c/lp, praticamente estável frente ao fim de março. No mesmo período o Real teve uma depreciação de 5,4%, suavizando as perdas acumuladas do adoçante em reais.

 O começo da safra 20/21, segundo o Itaú-BBA, mostra que, com a queda do etanol no mercado interno, as usinas aumentaram a utilização do caldo para a produção de açúcar com o mix correspondendo a 39,7%. Isso combinado com o aumento da moagem fez com que a 1ª quinzena de abril produzisse 0,95 milhão de toneladas do adoçante, resultado 169% superior observado no mesmo período do ano passado.

Os analistas do Itaú-BBA observam que, além do aumento expressivo da moagem na 1ªquinzena de abril (+61% sobre 9/20), o clima mais seco favoreceu também a qualidade da matéria-prima. O ATR por tonelada teve um acréscimo de 2,5% (112,1kgdeATR/ton) em relação ao mesmo período do ano anterior.

“O recuo das cotações do petróleo e consequentemente da gasolina que incentiva a produção de açúcar no Brasil, fez com que os fundos especulativos passassem a apresentar posição líquida vendida de 70,8mil contratos no final de abril. De fato, em um cenário em que o Brasil poderá maximizar o mix de açúcar, o déficit esperado no mercado global poderá ser minimizado”, comentam os analistas do Itaú-BBA.

As cotações do açúcar branco caíram menos do que o VHP sob uma perspectiva de incerteza quanto à oferta do adoçante no curto prazo e da redução de área de beterraba na Europa. Para os analistas do Itaú-BBA, na esteira de preços menos voláteis do branco, o prêmio do refinado seguiu atrativo, próximo aos 100 USD/ton, e estimulando o processamento do açúcar bruto.  Sob o ponto de vista da quarentena na Índia, a expectativa é que o país volte à normalidade a partir da segunda semana de maio, mas a velocidade da retomada é incerta e, por conseguinte, o fornecimento de açúcar para o mercado externo a partir dessa origem tende a seguir afetado.

Os analistas do Itaú-BBA contam que, “segundo relatos do mercado, e que poderemos ver ainda esse mês, os embarques de açúcar bruto do Brasil devem seguir em ritmo acelerado para países asiáticos e/ou nações com polos de refino, como Arábia Saudita e Argélia. O aquecimento das vendas se dá pelo prêmio remunerador do branco em relação ao bruto e pelos baixos preços do VHP em Santos.”

Apesar da tendência de preços baixos do açúcar em NY, as cotações do produto em moeda nacional para a próxima safra tendem a seguir atrativas às usinas diante do câmbio desvalorizado. Essa é a posição dos os analistas do Itaú-BBA.

“A fixação dos contratos a partir 2021, por exemplo, apresentam valores acima dos 1.350 por tonelada. Vale ressaltar que esses valores estão suportados pelo fator câmbio, e consequentemente, caso haja um recuo da taxa cambial, a janela de oportunidade pode ficar restrita.”


Fonte: CanaOnline