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Redução na mistura de biodiesel vai chegar à inflação

Postado em 15 de Abril de 2021

Mas, para Erasmo Battistella, da BSBIOS, o cenário é de crescimento, e a empresa aposta no biodiesel de segunda geração e na produção de alimentos.

A previsibilidade é fundamental para o setor de energia, e os consumidores sempre pagam a conta toda vez que ela é quebrada.

A avaliação é de Erasmo Carlos Battistella, fundador e CEO do ECB Group e presidente do conselho de administração da Aprobio (Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil).

Ele se refere à redução da mistura de biodiesel de 13% para 10% pelo governo na semana passada. A ação governamental visou minimizar o impacto do preço diesel no mercado. Atualmente, o preço do biodiesel é mais elevado do que o do diesel.

Segundo Battistella, não foi levada em consideração, contudo, os pontos positivos do entorno desse combustível, como as funções ambientais, sociais e econômicas.

Os reflexos dessa redução serão muitos. Entre eles, uma exportação maior de soja "in natura", redução de esmagamento interno e retração na mão de obra no setor. Este é o período de safra da soja e de planejamento pelas indústrias.

A menor utilização de soja pela indústria gera menos farelo, e os custos se espalham pelos setores de produção de proteínas e de derivados da oleaginosa. Os consumidores vão pagar mais caro por carnes, leite, ovos e óleo comestível. Isso reflete na inflação.

Apesar desses contratempos, a BSBIOS, empresa do ECB Group, delineia um futuro de desafios, mas com crescimento constante. Além de biocombustíveis, a empresa passará a atuar também no setor de alimentos.

A capacidade de produção das duas unidades brasileiras de biodiesel subiu para 936 milhões de litros por ano. A empresa, via a BSBIOS Paraguai, desenvolve também um projeto para a produção de biocombustíveis avançados, denominados de segunda geração.

Será construída a Biorefinaria Omega Green, no Paraguai, que produzirá 20 mil barris diários de biocombustíveis avançados, como diesel renovável, bioquerosene e nafta verde (renovável).

A construção do empreendimento terá início no segundo semestre, e a produção será exportada para Europa e Estados Unidos. Pelo menos 90% do que será produzido no início de operação da fábrica já está comercializado.

A BSBIOS, hoje em 14º lugar no ranking mundial, espera ocupar a 3ª posição em combustíveis renováveis e se tornar carbono neutro até 2030.

A empresa divulga, nesta quinta-feira (15), seu relatório de sustentabilidade. O biodiesel produzido, desde a produção sustentável da matéria-prima até a industrialização, reduz de 86% a 90% a emissão de gases de efeito estufa, se comparado ao diesel fóssil.

O ano foi bom para a BSBIOS. O faturamento subiu para R$ 5,3 bilhões, 57,5% mais do que em 2019, e o lucro líquido atingiu R$ 311,6 milhões.


Fonte: Folha de S. Paulo - retirado do Portal Uol