Clipping

Renovação energética

O ritmo de crescimento das energias renováveis não cessa de surpreender. Seu avanço já se alimenta de forças de mercado, e elas não dependerão mais de subsídios para sustentar a transição prevista no Acordo de Paris para mitigar a mudança do clima global.

As que mais se destacam são eólica (eletricidade obtida do vento) e solar fotovoltaica (luz do sol), estrelas do que se convencionou chamar de fontes alternativas.

O motor por trás da incipiente revolução é a queda nos preços, como indica relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês). Intitulado "Custos da Geração de Energia Renovável", o documento prevê que em 2020 a energia verde se torne competitiva diante da extraída de combustíveis fósseis.

Carvão, gás e óleo são hidrocarbonetos formados a partir de restos de organismos. São recursos finitos, assim como o urânio, mas que têm sobre este a desvantagem de emitir dióxido de carbono (gás do efeito estufa) quando queimados.

Hoje a participação das renováveis no mercado global de eletricidade fica em torno de 23%. O restante cabe a usinas termelétricas movidas a fontes fósseis e, em segundo plano, energia nuclear.

No Brasil a proporção se inverte: mais de 80% de renováveis na oferta de energia elétrica. Sobressaem as fontes hidrelétrica (65%), de biomassa (principalmente bagaço de cana, 9%) e eólica (7%).

De acordo com o estudo da Irena, projetos novos que usam a fonte renovável com tecnologia mais estabelecida, hidrelétricas, geram energia a um custo médio global da ordem de cinco centavos de dólar por quilowatt-hora (US$ 0,05/kWh). A eletricidade eólica a segue de perto, com US$ 0,06/kWh.

A solar fotovoltaica custa o dobro, US$ 0,10/kWh, mas sofreu uma redução de 73% desde 2010. Foi a modalidade que mais se beneficiou dos novos desenvolvimentos tecnológicos e da economia de escala propiciados pelos incentivos maciços do governo chinês a essa indústria.

Estima-se que entre 2010 e 2020 o custo da eletricidade fotovoltaica cairá 35% a cada duplicação da capacidade instalada. Bem à frente da redução esperada na fonte eólica (21% para turbinas instaladas em terra, como as que despontam no Nordeste brasileiro, e 14% para as que ficam em alto mar).

Não faltam sol e vento no Brasil, que encontra obstáculos crescentes para instalar novas barragens onde ainda há grande potencial hidrelétrico, a Amazônia.


Fonte: Folha de S. Paulo