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Renuka pode iniciar moagem na Usina Madhu em meio a impasse jurídico

A Renuka do Brasil, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars e em recuperação judicial, cogita começar a moer cana da nova safra (2018/19) por conta própria na Usina Madhu, localizada em Promissão (SP), segundo fonte próxima à empresa. A decisão seria uma saída de curto prazo para a situação das usinas da Renuka nesta temporada, diante de mais um impasse na Justiça, já que seu plano de vender as unidades dentro da recuperação voltou a ficar em suspenso.

No fim de março, a Renuka protocolou na Justiça um novo plano de recuperação judicial que previa a venda da Usina Revati por meio de um leilão e previa a oferta da Usina Madhu ao investidor que ganhasse a disputa. O plano foi elaborado em conjunto com gestora de fundos americana Castlelake, que foi a única interessada em adquirir os ativos até o momento.

A ideia era que o leilão ocorresse o mais rápido possível, já que a safra 2018/19 já começou e a Castlelake teria pouco tempo para assumir a gestão das usinas e colocar ao menos uma delas para funcionar ainda nesta temporada. O plano da gestora era operar apenas a Usina Revati.

O plano, apresentado à Justiça em 28 de março, previa que a assembleia de credores que aprovaria o plano deveria ocorrer 31 dias após o protocolo, enquanto o leilão ocorreria no dia seguinte.

Contudo, no dia 2 de abril, o juiz responsável pelo caso, Daniel Carnio Costa, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, determinou que a Renuka deveria aguardar uma decisão de segunda instância que é esperada desde meados do ano passado a respeito de um recurso, ainda referente ao plano de recuperação anterior, que tenta impedir o leilão da Usina Revati.

O recurso foi apresentado na época pelo BNDES e recebeu parecer favorável, mas em caráter liminar. A liberação ou não do leilão depende do julgamento do recurso ou de ordem do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

As pessoas que acompanham o processo admitem que não há previsão de quando essa decisão pode sair. Por enquanto, a Castlelake continua interessada em adquirir os ativos, mas o prolongamento dessa indefinição pode "mudar a percepção de valor" das usinas, segundo outra fonte envolvida nas negociações.

A perspectiva da Renuka é processar 3,5 milhões de toneladas de cana nesta safra, que é o que os contratos ainda vigentes com produtores da região conseguem lhe garantir de fornecimento, segundo uma fonte. A usina Madhu tem capacidade para processar até 6 milhões de toneladas de cana por temporada e é uma das maiores usinas sucroalcooleiras do país.

Conforme as fontes, não há cana suficiente na região em que as duas usinas estão localizadas que consiga ocupar a capacidade de ambas nesta safra, de forma que apenas uma teria como processar a matéria-prima do entorno neste ciclo.

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico