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Renuka pode se desfazer de suas usinas em SP

A Renuka do Brasil deu sua última cartada para sobreviver à recuperação judicial iniciada há três anos, em meio uma dívida que já chegou a cerca de R$ 3 bilhões. Na semana passada, a companhia, controlada pela indiana Shree Renuka Sugars, apresentou à Justiça um novo plano de recuperação que prevê a venda, por meio de leilão, da Usina Revati, em Brejo Alegre, com opção de compra da Usina Madhu, em Promissão, também no interior paulista.

Ao investidor que vencer o leilão da Usina Revati será oferecida a opção de comprar 50% da Usina Madhu por R$ 15 milhões, ou 100% da unidade por esse montante mais 50% de seu valor de mercado.

O modelo do novo plano foi negociado junto à gestora americana Castlelake, que já realizou due dilligence e pretende apresentar uma proposta no leilão, e com o BNDES, um dos principais credores da Renuka – e que impediu, na Justiça, as últimas duas tentativas de leilão de usinas da companhia por deter hipotecas nas unidades. Para contornar esse problema, o plano prevê que a venda da usina Revati não implicará a transferência de gravames em favor de terceiros.

A venda da Usina Revati (sem passivos) será usada para pagar parte das dívidas da Renuka. Com exceção dos credores trabalhistas, que receberão seus créditos integralmente, os demais receberão valores menores.

A estes foram apresentadas duas opções: eles podem converter uma parcela pequena de seus créditos (que variam conforme o tipo de credor) em ações na sociedade de propósito específico que adquirirá a Revati ou podem receber títulos de dívida, sem garantia, equivalentes também a uma parcela pequena do valor atual dos créditos, e que serão devidos pelo comprador.

O plano também prevê a venda das "socas" de cana da Usina Madhu por até R$ 15,7 milhões, a serem recebidos própria Renuka.

Os interessados deverão apresentar em suas propostas fechadas no leilão um compromisso de investir no mínimo R$ 170 milhões por três anos. O valor é considerado necessário para recuperar os canaviais da região, que se deterioraram após anos sem investimento. Os interessados também terão que apresentar proposta para arrendar os equipamentos da Madhu, que não poderá operar por três anos.

Por sua vez, a Renuka do Brasil garantiu que haverá contratos com fornecedores capazes de garantir a oferta de 1,8 milhão de toneladas de cana para a Usina Revati na safra atual (2018/19), iniciada ontem, e de 4 milhões de toneladas na próxima temporada (2019/20).

O plano prevê que os interessados podem estabelecer em suas propostas condições suspensivas para a transação que não sejam apenas a aprovação pelo Cade.

O prazo previsto para toda a operação é curto, já que a safra 2018/19 teve início e uma das usinas precisa começar a operar. A assembleia de credores responsável por deliberar sobre o plano deverá ocorrer 31 dias após o protocolo, realizado em 28 de março. O leilão deverá acontecer no dia seguinte à assembleia. No período entre a homologação judicial da proposta vencedora e a data do fechamento da transação, a Renuka do Brasil terá que permitir que o comprador fiscalize as atividades. Os investidores interessados têm cinco dias após publicado o edital para manifestar interesse.

Antes da data de fechamento da transação, a Renuka do Brasil deverá demitir os trabalhadores que o comprador decidir não manter na usina. O comprador será o responsável por pagar as verbas rescisórias, mas o valor máximo a ser pago deverá ser de R$ 24,4 milhões.

Por Camila Souza Ramos


Fonte: Valor Econômico