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Retomada lenta e gradual na colheita de cana

Com a expectativa de uma safra recorde de grãos, os economistas acreditam que o agronegócio será a salvação para 2017, evitando que a economia brasileira fique sem crescimento pelo terceiro ano seguido. De acordo com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o agronegócio deve apresentar expansão de 2% em 2017 e o mercado financeiro prevê que a alta do Produto Interno Bruto (PIB) seja de 0,49%.

Nesse ambiente de crescimento da atividade o setor sucroalcooleito, que passou por momentos difíceis nos últimos anos, inicia um processo de recuperação lenta e gradual. Segundo o presidente da Associação Brasileira da Agricultura (ABAG), Luiz Carlos Corrêa Carvalho (Caio Carvalho), a previsão da safra de cana-de-açúcar 2017/2018 no Centro-Sul indica a colheita em 7,7 milhões de hectares, gerando uma oferta para moagem de 575 milhões de toneladas. “Serão produzidas 34 milhões de toneladas de açúcar e 23 bilhões de litros de álcool, de acordo com estudos realizados pela Canaplan”, afirma.

Caio Carvalho, que também é conselheiro da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), explica que “a previsão da Canaplan utiliza uma banda que vai de 590 milhões de toneladas de cana (safra úmida) a 560 milhões de toneladas (safra seca), com o ponto médio de 575 milhões de toneladas”. A explicação é necessária porque segundo estimativa divulgada pela ÚNICA, em conjunto com os demais sindicatos e associações de produtores do Centro-Sul e o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), a safra 2017/2018 indica moagem de 585 milhões de toneladas. Portanto, apesar de iniciar a retomada este ano ainda haverá queda de 22,14 milhões de toneladas em relação as 607,14 milhões de toneladas processadas na safra anterior.

De acordo com as informações divulgadas pela UNICA, esta queda resulta da ligeira retração na área disponível para colheita e da diminuição esperada na produtividade agrícola do canavial a ser colhido no ciclo 2017/2018.
Caio Carvalho lembra que durante cinco safras de cana houve excedente de açúcar no mercado internacional. Neste período, alguns países produtores adotaram políticas públicas de protecionismo e auxiliaram os produtores locais, o que não ocorreu no Brasil. Neste contexto de dificuldades o produtor não investiu na renovação do canavial, o que refletiu na produtividade. “Saímos de uma produção de 85 toneladas de cana por hectare no Centro-Sul do país, que responde por 90% da nossa produção de cana, para 75 toneladas de cana por hectare. Lembra que agora, para recuperar a produtividade, que é um processo lento, o produtor terá de fazer a renovação de 20% do canavial, aumentando a área plantada, mas reduzindo a oferta de cana.

Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), afirma que do ponto de vista de máquinas e equipamentos estamos num processo de recuperação sim. “É uma recuperação gradual. No primeiro quadrimestre de 2017 tivemos um crescimento de 33% nas vendas totais de máquinas agrícolas e rodoviárias. Se olharmos para os tratores de roda, por exemplo, de janeiro a abril foram vendidas 10.975 unidades, uma alta de 39% sobre as 7.884 unidades vendidas no mesmo período de 2016. Este é um indicativo de melhora nas vendas”.

Ana Helena destaca que o crescimento no setor da cana vem acontecendo ao longo dos últimos meses. “O segmento sucroalcooleiro está investindo na ampliação e renovação da frota. De janeiro a abril foram comercializadas 378 colhedoras de cana, pouco abaixo das 390 unidades vendidas em 2016. Em abril tivemos uma pequena queda de 2% nas vendas, mas foi uma oscilação normal do mercado”, diz. Lembra ainda que o mês de abril foi mais curto, com dois feriados e uma paralisação no último dia útil do mês, o que refletiu nas vendas.

Além disso, o presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Jacyr Costa Filho, aponta que “o programa Renova Bio, lançado pelo Ministro Fernando Coelho, se transformado em lei, será um indutor importante de novos investimentos e de geração de empregos no setor sucroenergético brasileiro, colaborando para o atingimento das metas de redução de emissões assumidas pelo Brasil ao ratificar a Cop 21”.


Fonte: Globo Rural