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Rio de Janeiro dá exemplo ao transformar bioplásticos em política de Estado

A poluição ambiental causada pelas tradicionais sacolinhas plásticas feitas a partir do petróleo vem atingindo níveis preocupantes em todo o mundo. Necessitando de séculos para se decompor na natureza, o material é visto como um dos principais vilões do aquecimento global por aumentar as emissões de CO2 na atmosfera além de contaminar a água e o solo.

Na esteira das soluções tecnológicas hoje disponíveis para se enfrentar o problema, o Rio de Janeiro, cartão-postal e símbolo da exuberância ecológica do País, resolveu apostar em uma inovação brasileira para ajudar a preservar o seu patrimônio natural: o bioplástico feito do etanol de cana-de-açúcar.

Nos próximos 18 meses, conforme lei sancionada no final de junho pelo governador fluminense Luiz Fernando Pezão, micro e médias empresas do Estado, a começar pelos supermercados, deverão substituir as atuais sacolas 100% de origem fóssil por outras que sejam biodegradáveis ou reutilizáveis. No último caso, a exigência é que o produto apresente, no mínimo, 51% de matéria-prima renovável em sua composição, com destaque para a presença da biomassa canavieira.

De alta e baixa densidades, o bioplástico de etanol de cana pode ser aplicado em laminados, garrafas, embalagens, brinquedos, isolamento de fios elétricos, tubos para distribuição de água e gás, materiais hospitalares ou em tanques de combustível de veículos. O consultor de Emissões e Tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Alfred Szwarc, exalta o protagonismo do Brasil na fabricação deste produto devido à sua viabilidade comercial e os benefícios gerados ao meio ambiente.

“Há seis anos o País vem se consolidando como um dos líderes na produção de dois tipos de biopolímeros (que compõem o plásticos reutilizáveis de alta e baixa densidades) usados em mais de 80 marcas de diferentes indústrias nas Américas do Sul e Norte, Europa, Ásia e Oceania. Multinacionais (Coca-Cola, Tetra Pak, Johnson & Johnson e Faber-Castell) já aderiram à tecnologia, que captura até 2,15 quilos de CO2 da atmosfera, isso graças ao poder de absorção da cana-de-açúcar durante a sua fase de cultivo”, observa o consultor.

Aproveitando a abundância de matéria-prima existente no Brasil, a empresa Braskem produz bioplástico de cana desde 2011, quando inaugurou sua fábrica no município de Triunfo, no Rio Grande Sul. Logo de cara, fabricando um biopolímero de alta densidade, conquistou a gigante Coca-Cola, que hoje utiliza 100% de polietileno de etanol de cana em suas garrafas PET de dois litros vendidas no País. Em 2013, como um biopolímero de baixa densidade, a Braskem expandiu mercado e atraiu a Tetra Pak, que passou a adotar o material de origem renovável como componente das camadas de suas embalagens.


Fonte: UNICA