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Ritmo das exportações acelera, mas soja deve impedir que ano supere 2018

Postado em 26 de Fevereiro de 2019

Vendas externas batem recorde em fevereiro puxadas por algodão, etanol, milho e carnes

As exportações do agronegócio aceleraram o ritmo neste mês. Após terem atingido US$ 102 bilhões no ano passado, as vendas externas começam 2019 também começa com incremento.

Fevereiro nem terminou e as exportações de soja já bateram o recorde para o mês. Já são 4,5 milhões de toneladas embarcadas, podendo atingir 5,6 milhões até o final do mês.

Os dados desta segunda-feira (25) da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) indicam também boa evolução das exportações de carnes, café, milho, algodão e etanol, sempre em comparação com as de igual período do ano passado.

Dois dos destaques, o algodão e o etanol, têm alta de 55% e de 93%, respectivamente, no volume exportado, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio exterior).

O início de ano acelerado não quer dizer que 2019 deverá superar as receitas de 2018.

Um dos principais motivos é a soja, o carro-chefe das exportações. As vendas externas da oleaginosa estão aceleradas porque a safra foi antecipada e a guerra comercial entre EUA e China continua —apesar de Donald Trump ter anunciado uma trégua no domingo (24).

Após ter atingido US$ 41 bilhões de receitas no ano passado, o complexo soja deverá ter uma redução próxima de US$ 10 bilhões neste ano.

A perda é tão grande que não deverá ser compensada por outros produtos, mesmo com a recuperação de vários deles.

Uma das recuperações fica por conta do açúcar. Após ter exportações 31% menores na safra 2018/19, a commodity poderá ter uma evolução 10% maior na 2019/20.

O etanol volta a ter saldo líquido para o Brasil. Mas as exportações médias da safra crescerão 4%, abaixo do ritmo dos últimos dois meses.

Milho e algodão também vão dar sustentação às exportações do agronegócio, principalmente devido à maior produção interna.

O algodão estará, ainda, no foco dos chineses, que mantêm restrições de negociações com os americanos.

Outro destaque são as proteínas “in natura”. A exportação de carne bovina deverá atingir 124 mil toneladas, 27% mais do que as de fevereiro de 2018. As carnes suína e de frango acompanham a bovina e têm bom desempenho.

O ritmo das exportações de 2019 vai depender muito do câmbio. Um empecilho serão os preços internacionais: a tendência é de queda. A soja, mesmo com recuo de produção no Brasil, não reage devido aos estoques dos EUA.

200 milhões de toneladas

A Argentina poderá atingir 200 milhões de toneladas na produção de grãos em 2027, afirma a Bolsa de Cerais de Buenos Aires. O país produz 120 milhões.

Para que isso ocorra, os produtores deverão diminuir as diferenças de produção entre eles. Além disso, a produtividade do país deverá ser elevada para volumes próximos aos do potencial agronômico de cada produto.

A diferença entre os produtores é de 12%, e o rendimento ideal a ser atingido deveria evoluir de 10% a 37%, dependendo do produto.

Menor em 12 anos Os efeitos da guerra comercial entre Estados Unidos e China estão evidentes nos números mais recentes da balança do agronegócio, divulgados pelo governo americano.

Menor em 12 anos 2 O saldo da balança comercial dos EUA recuou para US$ 1,86 bilhão em novembro de 2018, o menor valor em 12 anos nesses meses, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Agrotóxicos O Ministério da Agricultura fez 58 registros de produtos agrotóxicos e afins desde o início deste ano. As liberações correspondem a uma média diária de um por dia. Em 2018, a média foi de 1,23 por dia.

Gás em 2018 As liberações deste ano seguem o ritmo das de 2017 e de 2018, quando o ministério havia feito 405 e 450 liberações, respectivamente. Em 2015 e 2016, haviam sido 139 e 277.

 

Vaivém das Commodities: a coluna é assinada pelo jornalista Mauro Zafalon, formado em jornalismo e ciências sociais, com MBA em derivativos na USP.

  

 

 


Fonte: Folha de S. Paulo