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Safra mineira 2021/22 promete priorizar etanol

Postado em 19 de Maio de 2021

A moagem de cana-de-açúcar, em Minas Gerais, vai crescer na safra 2021/22. A estimativa é esmagar 71,4 milhões de toneladas de cana, volume que está 1,1% maior que o registrado na safra passada. A expectativa é de que a maior parte da cana seja destinada à fabricação de etanol. Os dados são da primeira estimativa da safra de cana-de-açúcar 2021/22, que foram divulgados, ontem, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

De acordo com os números, a área em produção no Estado está 1,7% maior na safra atual, com a cana ocupando 868,7 milhões de hectares. A produtividade tende a cair 0,6% e pode chegar a 82,1 toneladas por hectare.
 
Os pesquisadores da Conab destacam que as operações de colheita da cana-de-açúcar, em Minas Gerais, começaram em abril. O clima vem se apresentando favorável para a cultura, até o momento. As condições mais secas encontradas nesse período de outono/inverno favorecem a maturação e a colheita da cana.

O estudo da Conab mostra que, inicialmente, a expectativa de produção é da ordem de 71,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, sendo que a maior parte desse volume deve ser destinada à fabricação de etanol e o restante para a geração de açúcar. 

Os pesquisadores da Conab ressaltam que essa proporção maior direcionada à produção de etanol tem sido comum na região, porém, neste ciclo, já se observa um incremento na destinação da cana para a fabricação do açúcar, o que vem sendo estimulado pelo aumento nos preços pagos pela commodity e pela demanda mais alta do mercado internacional.

Os dados da estatal mostram ainda que, das 71,4 milhões de toneladas de cana, 37,4 milhões serão voltadas para a produção de etanol, variação positiva de 3% frente as 36,3 milhões de toneladas destinadas na última safra. A expectativa é de que a produção mineira de etanol totalize 3 bilhões de litros, queda de 0,8% ou um volume de 23,5 milhões de litros a menos. 

Para o etanol anidro foi projetado um crescimento de 19,7% na produção mineira, que pode totalizar 1,09 bilhão de litros, o que significa um aumento de 179,7 milhões de litros na safra atual. O volume de cana voltado para a produção de anidro será de 13,7 milhões de toneladas, alta de 23,9%.

Já a produção de etanol hidratado tende a cair 9,4%, com um volume final projetado em 1,95 bilhão de litros. Este ano, serão produzidos 203,3 milhões de litros a menos. Serão esmagadas 23,6 milhões de toneladas de cana para a produção do biocombustível, queda de 6,2% frente à safra 2020/21.

Segundo os pesquisadores da Conab, a queda na produção do etanol hidratado está ligada à maior preocupação do setor em relação à redução no consumo do combustível, como consequência da ampliação das medidas de restrições impostas pelos estados para evitar a propagação do coronavírus no Brasil.

Para a fabricação de açúcar, a previsão é de queda de 4,3% no volume ou de 201 mil toneladas a menos, gerando na safra 2021/22 cerca de 4,5 milhões de toneladas. Para a produção do adoçante serão destinadas 33,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, retração de 0,9% frente à safra passada.

Segundo a Conab, as estimativas de baixos preços do etanol neste ano – resultado da baixa demanda interna e queda nos preços do petróleo – poderá, no decorrer da temporada, reverter essa tendência de retração na produção do açúcar.

Safra 2020/21 
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) também divulgou, ontem, os dados finais da safra 2020/21 de cana-de-açúcar. No período, Minas Gerais esmagou 70,5 milhões de toneladas de cana, volume que ficou 2,7% maior que as 68,6 milhões de toneladas registradas na safra 2019/20.

Na safra passada, a produtividade da cana caiu 1,3% no Estado, com rendimento médio de 82,1 toneladas por hectare. A área em produção somou 854,2 mil hectares, variação positiva de 4,1%.

Com preços mais rentáveis frente ao etanol e demanda mais aquecida, a produção de açúcar ganhou espaço. Ao todo, foram produzidas 4,7 milhões de toneladas do adoçante, uma diferença de 1,5 milhão de toneladas a mais ou 47,7% maior. A destinação de cana para o açúcar foi de 34,1 milhões de toneladas, alta de 41,1% frente à safra anterior, quando a moagem chegou a 24,3 milhões de toneladas.

Já para o etanol, produto que teve o mercado prejudicado pela crise gerada pela pandemia de Covid-19, a produção mineira somou 3 bilhões de litros, queda de 14,5%. A destinação da cana para o biocombustível caiu 18,2% e totalizou 36,3 milhões de toneladas. 

A produção de etanol anidro ficou em 911,7 milhões de litros, volume 10,8% inferior. No etanol hidratado, a retração foi maior e chegou a 15,9%. Ao todo, foram produzidos 2,1 bilhões de litros do biocombustível.

Seca e concorrência desafiam produção do CS
São Paulo – A safra de cana do Centro-Sul do Brasil em 2021/22 deverá atingir 574,8 milhões de toneladas, queda de 4,6% ante a temporada 2020/21, devido ao impacto da seca e de uma queda de área plantada, estimou ontem a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Esse volume para a temporada recém-iniciada, se confirmado, será o menor desde a temporada 2018/19, quando a colheita de cana na região que responde por cerca de 90% da moagem de cana caiu para 572,7 milhões de toneladas.

A produção de açúcar da principal região produtora do Brasil, maior exportador global da commodity, deverá atingir 35,8 milhões de toneladas, queda de 6,4% na comparação anual, apontou a Conab em sua primeira estimativa para a nova safra.

Já a produção total de etanol (de cana e milho) em 2021/22 foi estimada em 28,36 bilhões de litros no Centro-Sul, queda de 7,4% na mesma comparação, segundo números da estatal.

“A ocorrência de chuva abaixo da média, que afetou o desenvolvimento da cana-de-açúcar durante o ano passado e início deste, fará com que a moagem de cana, especialmente na região Centro-Sul, na temporada que se inicia, atinja um dos menores níveis dos últimos anos”, afirmou a Conab.

A estatal ainda apontou a área plantada com cana no Centro-Sul do Brasil em 7,5 milhões de hectares, queda de 2,4% na comparação anual.

Segundo a Conab, a queda na área ocorre diante de grande concorrência de cultivos anuais, como soja e milho, “que ganharam ótima rentabilidade recentemente e podem influenciar diretamente na destinação de área para cana-de-açúcar”.

Na região Sudeste, principal produtora de cana-de-açúcar do País, a variação de área em produção terá redução de 3% em comparação a 2020/21.

A produção de etanol só não cairá mais porque a fabricação do biocombustível a partir do milho crescerá em 500 milhões de litros, para 3,5 bilhões de litros, apontou a Conab. A região Centro-Oeste representa quase toda a produção a partir do cereal.

Para o Brasil, a Conab estima uma safra de cana de 628,14 milhões de toneladas, queda de 4%.

A produção nacional de açúcar deverá atingir 38,9 milhões de toneladas, queda de 5,7%, que só não é maior pelo crescimento de 2,8% na fabricação no Nordeste.

No País, a produção de etanol (cana e milho) deverá atingir 30,5 bilhões de litros, redução de 6,8%.

 


Fonte: Diário do Comércio