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Safra recorde e maior demanda alavancam agronegócio de Minas Gerais em 2021

Postado em 25 de Janeiro de 2021

Produção de grãos no Estado deve crescer 4,3% em relação ao período anterior, segundo Conab

Aliado à alta do dólar, o aumento da demanda interna e externa por alimentos impulsionou, em 2020, o setor agropecuário em Minas. Para este ano, a expectativa também é otimista, principalmente para a produção de grãos, que deve alcançar uma safra com volume recorde de 16 milhões de toneladas, 4,3% a mais que no período anterior, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A perspectiva também é favorável para a soja, cuja produção deve alcançar um aumento de 8,7%. A commodity, que encabeça as exportações do país, gerou R$ 13,6 bilhões no Estado no ano passado, o que corresponde a 14,1% do Valor Bruto da Produção (VBP) do agronegócio mineiro – que também bateu recorde em 2020, com R$ 96,1 bilhões, de acordo com o Ministério da Agricultura.

De acordo com a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso, a demanda pela soja, junto com o bom andamento do clima no Estado, favorece as lavouras. “Há uma demanda forte, tanto para a exportação quanto para o mercado interno, com a alimentação da pecuária. Isso tem levado os produtores a investirem mais”, explica ela. Nesta safra, a área destinada ao cultivo do grão deve crescer 10,6% em relação à colheita do período 2019/2020.

Diferentemente de outros setores da economia, que sofrem com as restrições causadas pela pandemia do coronavírus, o agronegócio viu na crise sanitária uma chance de crescimento. “Durante este ano de pandemia, alguns países aumentaram a demanda de consumo, até porque houve redução de produção em algumas regiões do globo, principalmente nos países europeus”, diz o superintendente de economia e inovação agropecuária da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa-MG), Carlos Eduardo Bovo.

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Esse movimento levou o setor a bater recorde de volume exportado em 2020, com 12,7 milhões de toneladas e a segunda maior receita da história, atrás apenas de 2011, com US$ 8,7 bilhões – um terço de todas as vendas externas de Minas no ano. Só a soja foi responsável por 20,7% dessa receita.

Café. O tradicional café continua sendo o carro-chefe do agronegócio mineiro. Na produção bruta, a fruta representou, no ano passado, 34,4% do faturamento em Minas, gerando R$ 21 bilhões, com um crescimento de 55,4% ante 2019. Nas exportações, o café também liderou, gerando US$ 3,83 bilhões para o Estado. 

Porém, as perspectivas para 2021 não são das melhores. Se em 2020 os produtores se aproveitaram da bienalidade positiva, da alta do dólar e da demanda internacional pela bebida, neste ano a previsão é que haja uma queda de colheita de 43% só em Minas Gerais, causada tanto pela bienalidade negativa quanto por fatores climáticos. 

“Temos procurado alternativas e feito recomendação a produtores sobre a necessidade de busca de recursos e linhas de créditos”, explica Aline Veloso. Já Bovo, da Seapa-MG, afirma que os produtores compensam a queda na produção com tipos diferenciados de café, que são usados tanto na exportação quanto no mercado interno. “A perspectiva é minimizar esses impactos através da qualificação e da busca de novos mercados”, diz.

Açúcar deve remunerar produtores 

Depois de uma safra recorde em 2020, o setor sucroenergético deve ter, neste ano, redução na colheita em função do menor volume de chuvas nos canaviais entre março e novembro. Porém, a expectativa do segmento, que faturou em Minas Gerais mais de R$ 10 bilhões no ano passado, é de um crescimento para mais de R$ 12 bilhões em 2021, segundo o presidente do Siamig, que representa os produtores de etanol e açúcar.

“O mercado açucareiro tem uma demanda externa muito forte, com preços bem remuneradores, e vai permanecer assim no ano de 2021”, diz o presidente do Siamig, Mário Campos. Segundo ele, o aumento no preço do petróleo também deve favorecer o etanol.

 Segundo a Seapa-MG, a produção de açúcar deve crescer 47,2% em 2021, enquanto o etanol terá uma redução esperada de 14% em relação a 2020.

Custos de produção deixam margem menor na pecuária

O valor recorde na arroba do boi gordo não representa naturalmente um ganho para os produtores de carne de Minas. Mesmo com o indicador atingindo o valor recorde R$ 297 na última semana, os custos de produção da pecuária mineira pressionam. “Muitas vezes não é ganho direto para o produtor se ele tem uma margem muito pequena”, destaca Aline Veloso, do sistema Faemg. A expectativa é pelo grande volume de exportações, que podem manter o preço da proteína animal.

Já o leite está dando sinais de enfraquecimento devido à menor demanda, causada pela redução do poder de compra. “Os custos de produção estão ainda mais apertados para os produtores”, diz Aline, citando o aumento do preço de soja e do milho para alimentação do rebanho.


Fonte: O tempo