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São Martinho carregará menos estoques de etanol para vender na entressafra

Postado em 1 de Julho de 2020

Diferentemente do usual, o Grupo São Martinho não deverá carregar tanto etanol para vender na próxima entressafra, afirmou nesta terça-feira Felipe Vicchiato, diretor financeiro da companhia, em teleconferência de resultados.

“Como viramos [a safra] com estoque de etanol, e dada a baixa visibilidade da demanda ao longo do ano, nossa opção é participar do mercado em todo trimestre. Não vamos carregar um volume muito grande para vender nos últimos meses do ano”, afirmou.

A mudança na estratégia se dá não somente pela imprevisibilidade da demanda, mas também pelo melhor momento para os preços de etanol, que voltaram aos patamares de um ano atrás.

Ele afirmou que a demanda está se recuperando, embora não tenha voltado aos níveis pré-crise, e que, com o dólar oscilando entre R$ 5,80 e R$ 5,50, houve demanda para exportar o biocombustível, o que “ajuda a sustentar o preço do etanol no mercado doméstico no nível que está”.

Além disso, a própria virada açucareira das usinas do Centro-Sul, reduzindo a oferta de etanol, também ajudou a oferecer suporte os preços do produto, avaliou.

Para Vicchiato, com uma produção menor no Centro-Sul em toda a safra, a perspectiva é que os estoques de passagem de etanol possam ficar mais equilibrados.

Na mesma teleconferência, o executivo afirmou que o grupo São Martinho reduziu sua estimativa para a moagem de cana desta safra (2020/21) em 300 mil toneladas em relação ao início da temporada, depois do período prolongado de estiagem de meados de abril até meados de junho.

A projeção atual é de que serão moídas 23,2 milhões de toneladas de cana, 2,5% a mais do que na safra passada. “Se houver surpresa, será positiva, porque o pior já vimos”, disse ele.

No front financeiro, Vicchiato, disse que a companhia está colocando mais de R$ 200 milhões em reserva de lucros referente à safra passada (2019/20) que poderão ser distribuidos caso a situação do mercado melhore.

“Se a situação melhorar, o mercado voltar ao patamar do ano passado e a companhia continuar desalavancanado, pode ter dividendo extraordinário e JCP [juros sobre capital próprio] no meio da safra. Mas precisa ter mais visibilidade para tomar essa decisão”, afirmou.

Ele afirmou que, se o grupo apenas segue a política de dividendos aprovada no ano passado, de pagamento de 40% do lucro caixa aos acionistas, a São Martinho distribuiria entre R$ 280 milhões a R$ 300 milhões em relação aos ganhos da temporada passada.

“Mesmo com investimentos, se decidirmos fazer o projeto de etanol de milho, entendo que o pagamento de dividendo continua sendo uma prioridade e não deve falhar”, acrescentou.

Se de fato decidir investir na uma planta de etanol a partir do processamento de milho, o grupo terá que gastar mais do que R$ 350 milhões, afirmou Vicchiato.

Segundo ele, o projeto de investimento está sendo avaliado em um comitê e deve ir à diretoria em até três meses, e uma decisão final deve ocorrer até o fim do ano.

 


Fonte: Valor Econômico