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São Martinho estuda investir em etanol de milho também em Pradópolis (SP)

Postado em 13 de Fevereiro de 2020

Com quatro usinas de cana, o Grupo São Martinho está começando as análises para investir no processamento de milho em sua maior unidade, a Usina São Martinho, localizada em Pradópolis (SP), Paralelamente, faz os últimos ajustes no plano de investimento para transformar em “flex” (processamento tanto de cana quanto de milho) sua usina em Quirinópolis (GO).

Uma das vantagens de um investimento na Usina São Martinho é o tamanho da planta, que tem capacidade para moer 10 milhões de toneladas de cana por safra e é cerca de duas vezes maior que a planta goiana, a Usina Boa Vista. Além disso, a usina paulista tem disponibilidade de energia cogerada com a queima do bagaço da cana, que pode ser direcionada para alimentar a planta de processamento de milho.

Porém, o ponto negativo de Pradópolis é a distância do Centro-Oeste, onde se concentra a produção de grãos. “Isso acarreta um custo de frente importante”, disse Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da São Martinho, em teleconferência com analistas sobre os resultados do 3º trimestre da safra 2019/20.

“É um projeto que estamos começando a estudar internamente. A depender de como vai o mercado, podemos iniciar.” Porém, qualquer aporte nesse sentido na usina paulista só deverá ocorrer quando o investimento na Usina Boa Vista estiver aprovado, acrescentou.

Enquanto isso, a companhia continua debruçada sobre o projeto da usina goiana. Após a recente disparada dos preços do milho no mercado interno, a companhia passou a considerar um volume de estocagem maior de grão do que o calculado inicialmente. “Esperamos nos próximos meses aprovação final do conselho de administração”, disse.

A companhia também se prepara para começar os investimentos na ampliação da capacidade de cogeração da Usina São Martinho, para garantir a entrega de energia vendida no leilão A-6, realizado em outubro.

Ao Valor, Vicchiato disse ontem que o primeiro pagamento para a aquisição da nova caldeira deve ocorrer no primeiro trimestre da safra 2020/21, mas que “algum adiantamento” pode ser feito já neste trimestre. A previsão da companhia é encerrar a temporada com um investimento em bens de capital (Capex) — já incluído os gastos com manutenção de canavial — de R$ 1,28 bilhão.

Dividendos

Tirando esses investimentos, que ainda não devem entrar no balanço da safra atual (2020/21), a São Martinho deverá gerar um excedente de caixa que poderá ser revertido, “provavelmente”, em uma distribuição de dividendos acima do patamar mínimo prevista na política recém-aprovada da companhia, de 40% do “lucro caixa” — que totalizou R$ 548,7 milhões em três trimestres da safra atual. “Tem espaço para aumentar dividendos”, atestou Vicchiato.

O mercado aguarda com otimismo a próxima declaração de dividendos. Em relatório, o BTG Pactual observou que, na hipótese de distribuição de 40% do lucro caixa, o rendimento dos dividendos seria acima de 7%, e que pode ser maior com o avanço do programa de recompra de ações.

Safra 2020/21

A expectativa do grupo para os preços de açúcar e etanol na safra 2020/21 é bastante positiva. “Se não houver recuperação da produção de açúcar do Brasil, esperamos preços em patamares bastante altos nos próximos trimestres”, afirmou Vicchiato.

A recente disparada dos contratos futuros do açúcar na bolsa de Nova York, combinada com a apreciação do dólar a níveis recorde, estimulou a São Martinho antecipar as fixações de preço para exportação na safra 2020/21. Do início de janeiro até o momento, a empresa fixou o preço de cerca de 130 mil toneladas, em operações com preço médio de R$ 1.500 por tonelada.

Até o fim de dezembro, a companhia havia fixado 513 mil toneladas para 2020/21 a um preço médio de R$ 1.263 a tonelada. Agora, o preço médio de todo o açúcar negociado pela companhia para a próxima temporada está entre R$ 1.330 a R$ 1.350 a tonelada.

Vicchiato ressaltou que, com as secas na Tailândia e na Índia, as estimativas de déficit de oferta global nesta safra internacional 2019/20, iniciada em outubro, estão sendo reforçadas, justificando a alta recente dos preços.

Segundo o diretor financeiro, esse cenário só mudaria se o Brasil retomasse seu máximo de produção de açúcar na próxima temporada, aumentando a oferta global em 8 milhões de toneladas. “Mas, dado o volume saudável de demanda de etanol, acredito que isso não vai acontecer.”

Para o mercado de etanol, Vicchiato vê preços “saudáveis” do biocombustível, acompanhando o que vem ocorrendo nos últimos meses por causa da demanda aquecida, e que agora vão se somar aos preços dos Créditos de Descarbonização (CBios).

Ele ressaltou que, com o início das negociações dos CBios, a comparação entre a remuneração oferecida pelo etanol com a do açúcar mudará, tendo que incorporar os preços dos CBios, sejam eles quais forem. Inicialmente, a São Martinho trabalha com um cenário base traçado pelo governo de US$ 10 por CBio em média.

 


Fonte: Valor Econômico