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São Martinho já fez hedge de 405 mil toneladas de açúcar para 2018/19

O Grupo São Martinho fixou o preço de venda de 405 mil toneladas de açúcar para a próxima safra (2018/19) até ontem, 315 mil toneladas a mais do que o registrado no fim do setembro, quando a empresa havia feito o hedge de 89,666 mil toneladas. A informação foi divulgada por Helder Gosling, diretor comercial e de logística da companhia, em apresentação a analistas nesta manhã.
 
A empresa aproveitou uma recente elevação das cotações do açúcar e do dólar, o que permitiu que o preço médio fixado para a próxima temporada ficasse em R$ 1.180 a tonelada. Porém, o valor ainda ficou abaixo do preço médio do açúcar fixado da safra atual, de R$ 1.400 a tonelada.
 
O valor fixado para a próxima temporada está próximo do preço da safra 2015/16, quando a companhia teve um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 1,6 bilhão. De lá para cá, porém, a companhia comprou a participação da Petrobras na Usina Boa Vista, elevando sua capacidade de geração de caixa, observou Felipe Vicchiato, diretor financeiro.
 
Segundo Gosling, a companhia acredita que os preços do açúcar podem subir na próxima safra, já que as estimativas de superávit de oferta global indicam um excedente pequeno, que pode ser facilmente anulado ou até revertido caso haja uma alteração do mix de produção no Brasil mais para o etanol. Com a barreira tarifária à importação, o Centro-Sul poderá vender mais etanol ao Norte e Nordeste, o que pode enxugar a oferta de açúcar, observou Golsing. Inclusive, para ele, a queda dos preços do açúcar no primeiro semestre estão relacionados ao elevado volume de importação de etanol ao Nordeste. Na apresentação aos analistas, o CEO da São Martinho, Fabio Venturelli, aproveitou para críticar os responsáveis pelas importações de etanol nesta safra. "Qualquer oportunista achou que seria uma boa ideia [importar etanol]. Muito aventureiro entrou nessa operação em 2017. Isso que ocorreu foi uma anomalia, pelo Brasil estar [até agosto] com etanol na lista de isenção [da tarifa do Mercosul]", afirmou o executivo. Com o estabelecimento da cota de 600 milhões de litros, a São Martinho acredita que haverá menos pressão das importações, o que deve favorecer um mix mais alcooleiro para a próxima safra.
 
Por Camila Souza Ramos

Fonte: Valor Econômico