Clipping

São Martinho prevê investimentos de R$ 1,47 bi ao longo da safra

Postado em 11 de Novembro de 2020

A São Martinho tem para esta safra um orçamento para investimentos em bens de capital (Capex) de R$ 1,47 bilhão, sendo que parte poderá acabar sendo executada no início da temporada que vem, afirmou Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, durante teleconferência sobre os resultados do 2º trimestre da temporada. No ciclo 2019/20, o grupo paulista teve um Capex total de R$ 1,39 bilhão.

Do montante projetado para 2020/21, R$ 1,17 bilhão deverão ser alocados em investimentos para manutenção (como cultivo de cana), R$ 100 milhões irão para melhorias agroindustriais e outros R$ 200 milhões serão destinados a projetos para ampliar a capacidade produtiva, como para incrementar a oferta de açúcar e a extração de etanol a partir da cana processada em algumas unidades.

Esses projetos têm uma taxa interna de retorno (TIR) de 20% a 25%. Para garantir uma boa remuneração, a São Martinho prefere se alavancar, buscando linhas de financiamento com o BNDES e bancos comerciais, disse Vicchiato. Dos R$ 200 milhões previstos para investimentos em capacidade, R$ 60 milhões poderão ser executados na safra que vem, que começará em abril.

O investimento no aumento da capacidade de cogeração da unidade localizada em Pradópolis, contratada para atender o leilão A-6 a partir de 2023, deverá demandar um desembolso de R$ 35 milhões nesta safra.

Já o projeto da empresa de investimento em etanol de milho ainda está sendo discutido e segue sem uma definição se vai ser executado ou não. Isso porque, com a alta recente do preço do milho, a companhia está ponderando se o retorno vale a pena.

Um investimento em uma planta de etanol de milho, que seria anexa a uma das usinas de cana da companhia, demandaria um aporte de R$ 600 milhões, disse Vicchiato. “O projeto tolera bastante ‘desaforo’ do ponto de vista de custo. Mas se preço do milho ficar acima de US$ 4 o bushel, com um câmbio mais depreciado, temos um retorno mais apertado”, atestou.

Apesar do aumento dos gastos com investimentos, sobretudo nesta segunda metade da safra, época de plantio de cana, a expectativa da companhia é manter seu custo caixa em linha com o da safra passada.

No primeiro semestre, houve uma redução do custo de produção tanto de açúcar como de etanol, dado que a companhia conseguiu aumentar sua produção por cana processada e, assim, diluiu os custos.

O custo caixa do primeiro e do segundo trimestres, incluindo Capex de manutenção, caiu 7,6% na produção de açúcar (a R$ 947 a tonelada) e 5,6% na produção de etanol (a R$ 1.415 o metro cúbico). Com isso, a companhia ganhou 17,4 pontos percentuais de margem na produção de açúcar, favorecida pela alta do preço do adoçante em reais, e manteve sua margem no etanol, já que o preço do biocombustível caiu na mesma proporção.

Já para este segundo semestre da safra, a expectativa é que o custo de produção seja maior do que no segundo semestre da safra passada, disse. Segundo Vicchiato, haverá impacto da depreciação do câmbio nos insumos e do aumento do custo atrelado ao Consecana, de pagamento de matéria-prima aos fornecedores, já que esse custo refletirá a recuperação dos preços de açúcar e etanol.

A remuneração dos produtos, porém, também tende a ser maior, já que os preços de açúcar e etanol na entressafra tendem a ser mais elevados e a São Martinho destinou mais da metade de sua produção para venda nessa segunda metade da temporada.

A companhia também começará a contabilizar a entrada de receitas com a venda de Créditos de Descarbonização (CBios), iniciada pela companhia em outubro. Até o momento, a São Martinho vendeu 100 mil títulos, ou 10% do total de CBios que prevê emitir até o fim do ano (1,067 milhão). Até agora, a companhia já escriturou (preparou para oferta) 641 mil títulos.

Segundo Vicchiato, “no preço atual [de Cbio], perto de R$ 60 a R$ 50 reais, a gente deve vender a totalidade dos CBios que emitimos”. Se confirmada a venda de todos os seus títulos, a oferta da São Martinho deverá ser suficiente para atender 7% da necessidade das distribuidoras, que têm que comprar, no conjunto, 14,89 milhões de CBios até 31 de dezembro.

A São Martinho também informou que já iniciou as fixações de preço do açúcar a ser exportado na safra 2022/23 (que começará em abril de 2022) e com preços R$ 400 por tonelada maiores do que os realizados no momento, alcançado R$ 1.753 a tonelada, disse Vicchiato.

Já foram hedgeados 100 mil toneladas de exportação para a temporada 2022/23. Essas operações começaram em outubro, conforme o preço futuro do açúcar subiu, em conjunto com a depreciação do dólar no mês.

Vicchiato disse que esse nível de preço permite adicionar R$ 400 milhões à geração de caixa da safra 2022/23.

Para a próxima safra, a companhia já fixou quase 700 mil toneladas de exportação de açúcar — equivalente a 50% da produção feita da cana própria da companhia — a um preço médio um pouco menor, de R$ 1.540 a tonelada.

Segundo o diretor, “a ideia é fazer nos próximos meses [fixações] nesse nível de preço, de R$ 1.500 a R$ 1.600”. “Vamos continuar acelerando o hedge para proteger a margem da próxima safra”, reforçou.

 


Fonte: Valor Econômico