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São Martinho terá vendas de etanol menos concentradas no fim da safra

Postado em 15 de Agosto de 2019

O grupo São Martinho deverá ter nesta safra um ritmo de vendas de etanol mais linear do que na safra passada, enquanto as vendas de açúcar deverão ser mais concentradas na segunda metade da temporada, segundo Felipe Vicchiato, diretor financeiro e de relações com investidores da companhia, em teleconferência com analistas.

A companhia ainda continuará com a estratégia de carregar parte da produção para vendas durante a entressafra, mas de forma menos intensa do que na safra passada (2018/19), quando a companhia carregou 60% da produção para ser vendida na entressafra.

A avaliação da empresa é de que os preços do etanol já estão em patamares acima dos observados um ano atrás, o que favorece vendas neste momento. Para Vicchiato, a relação entre os preços de etanol hidratado e gasolina pode se aproximar de 70% na entressafra — diferentemente do que ocorreu na temporada passada, quando os preços do etanol mantiveram uma diferença com folga ante os preços do combustível fóssil.

No caso do açúcar, as vendas deverão ser mais fortes na segunda metade da temporada porque a companhia fixou o preço da maior parte das vendas pelos contratos de açúcar na bolsa de Nova York com vencimento em outubro e março de 2020. No segundo trimestre, o volume deve ficar ainda em linha com o registrado no primeiro trimestre, acrescentou.

A variação do volume de venda do primeiro trimestre ante o mesmo período da safra passada (2018/19) foi negativa porque a base de comparação é elevada, já que, um ano atrás, a companhia registrava o recebimento de receitas de açúcar da temporada anterior (2017/18).

A São Martinho estima que alcançará sua meta de moer 22 milhões de toneladas de cana nesta safra, apesar do atraso do processamento no início da temporada. Como nos últimos dois meses o tempo está mais seco, as usinas do grupo estão superando inclusive a capacidade nominal diária de moagem.

A companhia também já terminou de processar a cana da área de 12 mil hectares que foi atingia pela geada de julho. Segundo Vicchiato, a geada foi leve e teve impacto “mínimo” na produtividade, o que não afeta a projeção de moagem.

Para as próximas safras, a perspectiva é de crescimento da colheita de cana, em parte em função do uso de mudas pré-brotadas e da técnica de plantio por meiosi (a partir de linhas-mãe). Além das técnicas aumentarem a área de cana disponível para processamento, há também impacto positivo na produtividade de cerca de 7%.

Atualmente, 10% da área de colheita de cana no grupo é realizada a partir de áreas plantadas através da conjugação dessas duas técnicas. Daqui três anos, entre 50% e 60% da área colhida deverá provir de áreas plantadas com mudas e meiosi, já em estágios diferentes de corte. Isso deve garantir uma oferta adicional de cana de 500 mil toneladas a 600 mil toneladas, segundo Vicchiato. “A expectativa é que até tenha mais cana do que na indústria. Isso vai colocar um desafio de tirar gargalos da indústria”, disse.

 


Fonte: Valor Econômico