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Segue a moagem da cana em MG, mas setor precisa de ações urgentes

Postado em 28 de Abril de 2020

As medidas e protocolos de higienização contra o contágio do coronavírus tomadas pelas usinas e produtores de cana tem levado a uma boa condição de plantio, colheita e moagem da cana em Minas Gerais, segundo informaram os presidentes da SIAMIG e CanaCampo, Mário Campos e Daine Frangiosi, respectivamente, e o coordenador da CanaCampo, Rodrigo Piau. Os produtores aguardam, porém, as medidas tributárias e financiamento para estocagem do etanol, já que a pandemia e o choque do petróleo pegaram o setor em plena safra e provocaram uma drástica redução no consumo do biocombustível. Eles participaram de uma live, ontem, promovida pela Agência Solis, de Uberaba.

Daine Frangiosi ressaltou que a CanaCampo realizou uma ação com as usinas e foram emitidos vários protocolos de higienização, disponibilizados o álcool 70 para as frentes de plantio, colheita, e indústria, com disponibilização de uma quantidade maior de ônibus para transporte dos trabalhadores, rodízio nos refeitórios, distanciamento e uso de máscaras. “Esperávamos uma safra muito rentável, com busca de maior produtividade, a qual apesar das dificuldades atuais, continuamos perseguindo”, afirmou. Ele disse que está iniciando um trabalho de pesquisa na CanaCampo com mais de 100 variedades, a fim de melhorar a produtividade da cana e levar uma informação de qualidade ao produtor.

Mário Campos ressaltou que, até o Carnaval deste ano, a perspectiva era de colher a maior safra de cana de Minas Gerais, com preço remunerador para todos os produtos, um canavial mais jovem e maiores produtividades. No caso do açúcar, havia uma recuperação nos preços, já o etanol tinha perspectivas de aumentos ainda maiores no consumo. Além da energia elétrica que iria gerar bons negócios. O setor no estado comemorava, também, a entrada em operação de duas grandes unidades, a CRV- Minas, em Capinópolis, e a Canápolis, do grupo CMAA.

“Tivemos um choque de demanda em toda economia com a pandemia, mas nosso setor está sofrendo mais ainda com a queda do preço do petróleo e a redução do consumo de etanol em plena safra”, afirmou Campos. Neste sentido, o trabalho das associações representativas do segmento tem sido a solicitação ao governo federal de medidas tributárias, com redução do PIS/COFINS, aumento da CIDE na gasolina e financiamento para estoque de 6 bilhões de litros de etanol. Segundo ele, o objetivo das medidas é manter a competitividade do biocombustível, que emprega 750 mil colaboradores diretos no país, fora os milhares de trabalhadores em toda cadeia produtiva.

Apesar das dificuldades, o coordenador agrícola da CanaCampo, Rodrigo Piau, ressalta que permanece a data de realização do MegaCana Tech Show, o maior evento do setor sucroenergético de Minas Gerais, nos dias 5 e 6 de agosto, em Campo Florido. Ele disse que o evento será uma oportunidade de discutir os rumos do setor, diante das dificuldades enfrentadas no consumo de etanol, e o cenário do açúcar, pois a usinas que puderem ser mais açucareiras passarão melhor por este momento.

Já o representante da Acadian Seaplants, empresa canadense de fertilizantes, Samir Geraigire, que também participou da live, destacou que o aumento do dólar tem um impacto direto nos insumos, e estão sendo estudados alguns mecanismos para diluir o preço para o produtor. Ele acredita que o dólar vai ficar alto este ano e a empresa está traçando estratégia de como lidar com esse cenário. “Grande parte dos fertilizantes negociados já foram distribuídos, e a agora estamos vendo como ser competitivos e absorver uma parte do dólar nos preços dos produtos”, afirmou.


Fonte: Gerência de Comunicação SIAMIG