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Sem avanço em negociação com EUA, cota do Brasil para etanol expira dia 14, diz fonte

Postado em 12 de Dezembro de 2020

As negociações com os Estados Unidos para aumentar o acesso aos mercados de etanol e açúcar não evoluíram desde que o Brasil estendeu por três meses uma cota sem tarifa para importação do biocombustível, disse uma fonte do governo brasileiro nesta sexta-feira.

E, dessa forma, o benefício tarifário está previsto para vencer na próxima segunda-feira, acrescentou a fonte à Reuters, pedindo anonimato por não estar autorizada a falar com a imprensa.

"Zero avanço nas negociações, e a cota expira em 14 de dezembro", disse.

Caso seja confirmado o fim da cota, importações de etanol de fora do Mercosul voltam a ter tarifa de 20%

Ao estender a cota em setembro, o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) estabeleceu em 187,5 milhões de litros o novo volume para importação de etanol sem tarifa.

A medida, que contrariou integrantes do setor produtivo no Brasil, foi vista como um sinal de boa-vontade com os EUA, origem da maior parte das importações do Brasil, cujo governo considera Donald Trump um aliado importante.

O novo prazo permitiu a Trump passar pelas eleições sem enfrentar reclamações sobre as tarifas do Brasil por parte de produtores de etanol de milho norte-americano, que integram um importante grupo de apoio ao presidente republicano.

Procurado, o Ministério das Relações Exteriores disse em nota que "seguem em curso as tratativas bilaterais para acesso ao mercado de etanol e açúcar no Brasil e nos EUA", e que a divulgação de informações poderia prejudicar as negociações.

Neste ano, um câmbio desfavorável a compras no exterior e a queda na demanda por combustíveis no Brasil em função da pandemia limitaram as importações brasileiras.

Ainda assim, no acumulado do ano até novembro o Brasil importou 901,3 milhões de litros de etanol, sendo 747,6 milhões dos EUA, segundo dados no site da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).

As importações brasileiras na safra caíram 28,5% na comparação com o mesmo período de 2019, quando somaram até novembro 1,26 bilhão de litros de etanol.

Em 2019, o Brasil importou ao todo 1,44 bilhão de litros, sendo a maior parte dos EUA, que costumam abastecer mais os mercados do Norte/Nordeste brasileiro, pela maior proximidade geográfica.

Anteriormente, o presidente da Unica, Evandro Gussi, disse que qualquer liberalização no comércio de etanol deveria ser seguida por um movimento para reduzir o imposto de importação dos EUA sobre o açúcar brasileiro.

O Brasil, de outro lado, tem nos EUA o principal destino para a exportação de seu etanol de cana, considerado avançado em mercados norte-americanos.

Com o mercado interno fraco, as vendas externas brasileiras aumentaram 36% no ano até novembro, para 2,4 bilhões de litros, ajudando o Brasil a reduzir seus estoques durante a pandemia.

Os norte-americanos foram de destino de 984 milhões de litros de etanol brasileiro no período, conforme dados da Unica.


Fonte: Reuters