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Sem chuvas há 116 dias, Piracicaba tem o maior período de estiagem em 18 anos, diz USP

Somando 116 dias sem chuvas neste sábado (28), a estiagem este ano já supera o número de dias seguidos sem chover em 2000, até então o maior período recente de seca registrado em Piracicaba (SP) pelo Departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP). Além das consequências do tempo seco, a situação pode trazer prejuízos para a produção de cana-de-açúcar na região.

Em 2000, Piracicaba ficou 108 dias seguidos sem chover, até então o maior período recente de seca. Depois disso a cidade teve uma estiagem prolongada em 2014, com 105 dias sem chuva, sendo superado também com a seca deste ano.

O professor do departamento da Esalq, Felipe Gustavo Pilau, explica que o recorde de seca pode estar relacionado ao fenômeno "La Niña", responsável por invernos pesados e grandes secas ao redor do mundo. No Brasil, segundo ele, isso faz com que chova mais na região Nordeste e que o Sul e Sudeste "sintam" mais a estiagem, ao contrário do que ocorre com o fenômeno "El Niño".

"Esse evento se prolongou até há pouco tempo, então essa seca será sentida por mais um período. No entanto, não há uma influência tão clara quanto a influência do Lã Nina em Piracicaba", ressalta.

Segundo ele, a causa da falta de chuvas só poderá ser estudada com mais precisão após o período de estiagem, para se ter certeza que o fenômeno influenciou a cidade.

Altas temperaturas

Apesar da situação ser atípica, Pilau afirma que não é raridade desde o início do período que o departamento monitora o tempo na cidade. "Estamos vivendo um ano de volume de chuva abaixo da média, o que não é anormal se compararmos aos últimos 100 anos", completa.

O que difere a seca deste ano com outros períodos, segundo o especialista, é a temperatura, que tem tido registros mais altos que o normal este ano, causando maior percepção dos problemas da estiagem, como diminuição nos níveis da represa, já que a água evapora mais rapidamente.

Nesta sexta-feira (27), o nível do Rio Piracicaba chegou a 70% abaixo da média histórica para o período, segundo o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo (Daee). A média de vazão do rio para julho é de 55 metros cúbicos por segundo. O índice estava em 17 m³/s, enquanto o nível é de 98 centímetros.
Em 2014, quando a vazão do manancial chegou a 15 metros cúbicos por segundo e o nível era de 93 centímetros, houve mortandade de milhares de peixes em Piracicaba.
Outras cidades da região também já enfrentam as consequências da falta de chuva. Rio das Pedras (SP) inicia racionamento na segunda-feira (30) com baixa das represas que abastecem a cidade e Iracemápolis (SP) faz escavações na represa para não ter que tomar a mesma medida na cidade.

Previsão do tempo

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), não há previsão de chuva para a cidade até domingo (29). As temperaturas devem ficar em mínima de 15ºC neste sábado e máxima de 31ºC no domingo.


Fonte: Portal G1