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Sem garantia dos CBios, produtores não devem entregar o CAR às usinas e travarão o RenovaBio

Postado em 7 de Agosto de 2020

Diante da indefinição quanto ao repasse para os produtores da parte que lhes cabe dos Créditos de Descarbonização (CBios), o RenovaBio começa a ficar ameaçado de forma velada. Os canavieiros ameaçam não entregar os dados do Cadastro Ambiental Rural (CAR) às usinas, conforme manda a legislação, e podem travar o novo programa nacional para os bicombustíveis em algumas regiões e unidades.

Pernambuco sai na frente, com a Associação dos Fornecedores de Cana (AFCP) convocando reunião com os associados, também do Sindicape, para segunda-feira (10). “Com a nossa safra chegando, precisamos ter garantia de que as usinas vão garantir previamente que os ganhos dos CBios também se estendam aos produtores independentes, se não vamos restringir os nossos CARs”, afirma Alexandre Lima, presidente da entidade regional.

Como não há como separar a cana elegível da usina e dos fornecedores, o perfil do uso correto da terra pelos produtores é condição para a usina estar apta a emitir os papéis correspondentes a cada lote de etanol negociado com as distribuidoras.

O pleito dos produtores, incluindo também os de biodiesel, já vem desde as primeiras discussões nacionais do RenovaBio, mas com a implantação do programa neste ano – e com algumas emissões de CBios já no mercado – a reivindicação não prosperou.

Na visão dos fornecedores, a produção de uma cana cada vez mais se resíduos fósseis, que é o que ajudará a precificar o valor dos CBios das usinas, embute custos que muitas centenas de pequenos e médios produtores não conseguirão carregar.

Outro ponto, destaca Alexandre Lima, também presidente da nacional Feplana, é que a ideia de que o RenovaBio, ganhando da usina para frente, reverteria para os canavieiros indiretamente na forma de aumento da produção, não se sustenta. A oneração da produção é para já, enquanto que os resultados em maior produção e produtividade são de médio e longo prazos, e ainda sem garantia.

 


Fonte: Money Times