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Setor canavieiro da Colômbia foca em produtividade, longevidade e sustentabilidade

A produção de cana na Colômbia é estável: 24 milhões de toneladas, que gera cerca de 2,3 milhões de toneladas de açúcar e 430 milhões de litros de etanol. Embora a moagem seja relativamente baixa quando comparada aos números brasileiros, o mesmo não pode ser dito da produtividade. Em 2015, o rendimento foi de 116,5 TCH, enquanto que, no Brasil, a média foi de 76,9 TCH. No mesmo ano, na Colômbia foram registradas 13,4 t/ha de açúcar (ATR médio de 115,5).

Para alcançar tais valores, o país aposta em algumas técnicas diferenciadas. A escassez de água da região é compensada com irrigação, realizada em 100% da área cultivada - cerca de 240 mil hectares -, com diferentes tipos de aplicação: sifões, tubulação PVC, ventanas ou mangueiras perfuradas.

Outro interessante método de manejo adotado pelos colombianos é o replantio de falhas no canavial, feito até o quinto corte. Ato bastante diferente do realizado no Brasil, que replanta, no máximo, até o segundo corte e a partir de falhas de 1m – na Colômbia, até mesmo falhas de 500 cm são replantadas.

Esse processo, aliás, foi o que mais chamou a atenção da produtora Lívia Gonçalves, dona de 4200 hectares de cana nas regiões paulistas de Jaboticabal, Borborema, Bento de Abreu e Santo Antônio do Aracanguá, durante sua visita de associados da Socicana a Colômbia em junho deste ano. Para ela, esta é uma técnica que poderia muito bem ser aplicada no Brasil. “Embora tenhamos tecnologia para isso, não temos o hábito de replantar falhas, o que seria preponderante para aumento de nossas produtividades.”

Os solos colombianos, ricos em nutrientes também despertaram a atenção de Lívia. “Aqui no Brasil, temos que colocar muita coisa no solo para que ele possa responder adequadamente. Lá, não tem necessidade de adicionar muitos corretivos.” Visitante de primeira viagem, a produtora afirma que os cinco dias passados no país vizinho foram muito positivos. “Voltaria com certeza para conhecer mais processos e técnicas agrícolas.”

Outro profissional que visitou a Colômbia recentemente foi o diretor agroindustrial da Usinas Itamarati, Eliandro de Jesus Romani. Para ele, além da irrigação e do replantio de falhas, outra técnica adotada naquele país e que é vital para alcançar os bons números de produtividade é o tratamento do canavial por metro quadrado (m²) e não por hectare, no sentido de conseguir maior aproveitamento das áreas agriculturáveis. “São feitos verdadeiros canteiros pelo canavial, onde cada m² é aproveitado ao máximo em função da pouca disponibilidade de área.”

A utilização de ultraleves para aplicação de maturadores foi outro ponto que chamou a atenção de Romani. De acordo com ele, a aplicação com este tipo de avião, além de ser mais barata – gasta 19 litros/hora enquanto que aviões agrícolas convencionais, mesmo utilizando etanol, gastam de 60 a 80 litros/hora –, possui altíssima qualidade.

A autonomia do ultraleve também é superior. Ele chega a aplicar de 30 a 38 hectares por dia. “Na Colômbia, as usinas operam praticamente o ano todo, ou seja, praticamente todos os dias precisa aplicar algum tipo de defensivo. Com isso, surgiu a necessidade de encontrar uma tecnologia que fosse própria, boa e barata.”

A sustentabilidade do negócio também não é deixada de lado pela Colômbia. Na parte de fertilização, existe uma predominância na utilização de adubos orgânicos (esterco de animais). Por terem um menor índice de infestação de pragas e doenças, quase não utilizam inseticidas e fungicidas. Com relação ao controle de plantas daninhas, não há uso de herbicidas. As infestações são contidas através da caprinocultura, ou seja, cabras são soltas no canavial e se alimentar das ervas invasoras.

Este foi o fato que mais atraiu a atenção do produtor José Vagner Carque, da Fazenda São João, localizada no município paulista de Taquaritinga. “O ponto alto da visita, na minha opinião, foi ver de perto o controle de plantas daninhas. Fiquei abismado ao ver como as cabras se alimentam das ervas sem ao menos se interessar pela cana.”

Dono de uma área de 95 hectares de cana,Carque afirma que, se seus canaviais fossem cercados por todos os lados, adotaria essa técnica em sua propriedade. “Acredito que para grandes fazendas, este processo não é viável. Mas, sem dúvida, funcionaria para as pequenas”, acrescenta.


Fonte: CanaOnline