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Setor da cana pode sentir impacto da paralisação econômica em breve, diz entidade

Postado em 26 de Março de 2020

Todas as cidades do estado de São Paulo estão em quarentena, para conter o avanço do coronavírus, desde a última terça-feira, 24, devido um decreto do governador do estado, João Dória. A medida obriga o fechamento do comércio e mantém somente os serviços essenciais, em funcionamento. Segundo o diretor da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo e presidente da Aprosoja-SP, Gustavo Chavaglia, o prolongamento desta paralisia da economia pode cobrar um alto custo do setor canavieiro.

A data limite para a quarentena no estado é 7 de abril, mas pode ser prorrogada. O estado registra até o momento 810 casos confirmados da doença, segundo o Ministério da Saúde.

O agronegócio paulista já começa a ser impactado por esta paralisia na economia, afirma Chavaglia. Afinal, as usinas de açúcar e etanol irão começar os processamentos de cana-de-açúcar agora, mas a queda na demanda por etanol e açúcar podem trazer problemas.

“Com essa contenção das pessoas em casa há um consumo menor de combustíveis, por exemplo e o setor do etanol, que já sofria um impacto com a queda mundial no valor do petróleo (consequentemente dos combustíveis), pode ver a crise aumentar com essa parada na economia”, diz Chavaglia.

Segundo ele, a entidade que reúne as usinas do estado tem buscado junto ao governo maneiras de evitar um problema maior, mas faz um conta rápida mostrando o tamanho do problema.

“Começando a safra agora e todos irão produzir etanol. Mas se não tem consumo, ao encher os reservatórios, irão parar de produzir e os produtores ficarão com a cana sem vender também”, afirma.

Agro como serviço essencial

Segundo Chavaglia, após um apelo do setor agro, o governador do estado decidiu incluir o agronegócio como um serviço essencial, portanto não precisa parar suas atividades.

“Nossa preocupação do setor agro são a respeito de decretos municipais, que não respeitam a manutenção de serviços essenciais. Aqui no estado de São Paulo, o secretário de agricultura sensibilizou o governador, que por sua vez assinou um decreto colocando a agricultura com um serviço essencial também.”

Ele ainda afirma que os fiscais devem se atentar aos serviços que são fundamentais para que o agro funcione perfeitamente e integralmente.

“O meu apelo é que todos os prefeitos estejam conectados com essa determinação do estado e mantenham os serviços básicos funcionando. Até para atender as necessidades de alimentação das próprias cidades. Os fiscais precisam ter bom senso antes de autuar algum estabelecimento que prestem serviços para a área agrícola, como lojas de peças, borracharias, oficinas entre outras, que são necessárias para o funcionamento do setor”, finaliza ele.


Fonte: Canal Rural