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Setor de açúcar indiano almeja “oportunidade de ouro” na Indonésia

Postado em 20 de Fevereiro de 2020

As usinas de açúcar indianas, sobrecarregadas com estoques recordes, estão ansiosas por lucrar com a perspectiva de retomar as exportações para a Indonésia, que esteve ausente do principal mercado de importação do mundo por anos.

A Índia, que compete com o Brasil como principal produtor mundial do produto, poderá vender 250 mil toneladas de açúcar bruto para a Indonésia até o final do período de moagem local, em maio. O volume foi calculado a partir da média de seis estimativas obtidas em uma pesquisa da Bloomberg com comerciantes e órgãos oficiais. Isso acontece após uma mudança nas exigências de qualidade do país do sudeste asiático.

Na segunda-feira (17), o diretor geral de lavouras do Ministério da Agricultura, Kasdi Subagyono, anunciou que a Indonésia alterou a especificação de cores das importações de açúcar bruto para permitir embarques da Índia. O governo reduziu pela metade a medida Icumsa, chegando a 600.

A Icumsa é a Comissão Internacional para Métodos Uniformes de Análise de Açúcar. A maioria das usinas indianas produz açúcar bruto com Icumsa de até 800 e não poderia enviar para a Indonésia nas regras antigas, quando o país exigia um índice de 1.200.

Segundo Subagyono, isso deve acrescentar o volume necessário para que a Indonésia atenda ao aumento do consumo de açúcar. Ainda que a medida seja direcionada para a Índia, ela se aplica a todos os fornecedores.

Assim, a Índia pode retornar ao mercado da Indonésia depois de uma severa seca cortar a produção na Tailândia, normalmente o principal fornecedor de açúcar bruto para o país. O novo mercado de exportação pode ajudar a restringir os crescentes estoques da Índia, que subiram para um recorde de mais de 14 milhões de toneladas em 1º de outubro.

“Esta é uma oportunidade de ouro para exportarmos açúcar para a Indonésia”, disse o diretor da federação nacional das cooperativas de açúcar, Prakash Naiknavare. “As usinas só precisam interromper a produção de açúcar branco e começar a produzir açúcar bruto nos dois meses antes do fim da temporada de moagem”.

Preços globais

O aumento das exportações da Índia pode conter o aumento dos preços globais, que subiram cerca de 10% este ano devido à preocupação com a produção da Tailândia, segunda maior exportadora mundial da commodity. O país foi atingido pela pior seca em 40 anos e a perspectiva é que as exportações de açúcar possam cair cerca de 40%, para 6 milhões de toneladas, de acordo com uma estimativa do setor.

“Os contratos de exportação precisam ser assinados rapidamente para que as usinas de Maharashtra e Karnataka produzam açúcar bruto antes que a moagem termine”, disse o diretor-geral da associação indiana de usinas, Abinash Verma.

Do outro lado, as refinarias indonésias estão aguardando uma notificação oficial sobre a regra Icumsa antes de assinarem contratos de importação com fornecedores indianos, conforme o presidente da Associação de Refinadores de Açúcar da Indonésia, Bernardi Dharmawan. O grupo reúne 11 refinarias que processam apenas açúcar bruto importado para usos industriais.

Segundo Dharmawan, a Indonésia pode comprar 300 mil toneladas da Índia este ano, considerando a oferta insuficiente da Tailândia. Ele acrescenta, porém, que as compras reais devem depender dos preços.

Por sua vez, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos estima que a Indonésia, maior importador mundial de adoçante, comprará 4,4 milhões de toneladas de açúcar bruto em 2019/20. 


Fonte: Bloomberg