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Setor sucroenergético está em recuperação, mas depende muito do aumento de produtividade e redução de custos

Postado em 21 de Novembro de 2019

Não adianta apenas o aumento de consumo dos produtos da cana e da implementação de políticas públicas, o setor precisa ser mais competitivo

Depois de uma longa e árdua crise, o setor sucroenergético nacional volta a dar sinais de recuperação. Essa é a visão compartilhada pelo engenheiro agrônomo Dib Nunes Jr., presidente do Grupo IDEA, durante a abertura do 18ª Seminário de Produtividade e Redução de Custos no Setor Canavieiro, realizado pelo IDEA nesta quarta-feira, 20, em Ribeirão Preto, SP.

Segundo ele, o segmento está em vias de voltar a se tornar competitivo, acompanhando o crescimento de um “novo Brasil”. “Nos últimos meses, observamos um aumento significativo no consumo de etanol em quase todos os estados brasileiros. Outro ponto positivo para o biocombustível é a intenção de aumento do percentual de etanol na gasolina pela China e Estados Unidos. Além disso, há expectativas de um déficit de açúcar no mercado mundial, o que poderá contribuir para o aumento do preço do produto.”

Em sua fala, Dib afirmou que os custos de produção do segmento ainda estão elevados. No mesmo evento, o consultor da Sucrotec, Francisco Oscar Louro Fernandes, apresentou dados mostrando que o custo total de produção da safra atual corrigido pela inflação ficou relativamente estável (queda de 0,6%) em relação ao ciclo passado. “Considerando que parte dos custos são indexados ao aumento dos preços via ATR, retirando-se esse fator observamos uma queda de 3% nos demais custos de produção do açúcar ou etanol."

Dib observou que os custos deverão ser amortizados pelos ganhos de produtividade que estão sendo alcançados pelas usinas e fornecedores de cana-de-açúcar, decorrente principalmente da utilização de novas tecnologias. “Nos últimos 10 anos, tivemos um aumento brutal de custos. Só conseguiremos contornar esse cenário com produtividade", afirmou.

Para o Presidente do IDEA, o segmento deve iniciar uma “caça às bruxas”, descobrindo onde estão as perdas e os ganhos. “Algumas das alternativas incluem: renegociação de contratos, revisão de metas e orçamentos, redução do quadro de funcionários e dos custos fixos, capacitação de funcionários e melhoria da qualidade e eficácia operacional.”

Mas, sobretudo, o engenheiro agrônomo ressaltou a importância da introdução de novas tecnologias e procedimentos no campo, pois o fator ATR é um dos principais pilares da lucratividade.


Fonte: CanaOnline