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Setores de etanol e biodiesel se mobilizam para impedir desmonte do CTBE

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) está passando por um “desmonte”, afirmam pessoas ligadas ao centro de pesquisa.

Hoje, dia 1º, o CTBE perdeu mais 20 funcionários. Além do desligamento do diretor Gonçalo Pereira, foram demitidos 40 profissionais da equipe, de um total de 130.

Para tentar salvar o CTBE, na tarde desta sexta-feira, entidades ligadas ao setor de biocombustíveis encaminharam ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Gilberto Kassab, uma carta para expressar apoio às atividades do  CTBE.

Na carta, que deve ser protocolada na próxima segunda-feira, as entidades representativas do setor destacam a preocupação com as recentes notícias de redução de orçamento e o desligamento do diretor CTBE, anunciada no último 28 de novembro. A carta foi assinada pelos presidentes do Fórum Nacional Sucroenergético, da Unica, da Ubrabio, da UDOP, Biogás e ABBI.

O documento pede também à instauração de uma força tarefa, de natureza informal, composta por representantes do Ministério, de órgãos federais ligados ao setor de bioenergia e do setor privado para “em prazo curtíssimo, debater e propor uma solução de governança para o CTBE e uma nova visão estratégica que permitam a continuidade e reforço do trabalho da instituição como motor da inovação da bioeconomia brasileira”.

O desmonte

O Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais (CNPEM), centro do qual o CTBE faz parte, passa por severas dificuldades financeiras. Além do CTBE, os outros três laboratórios nacionais que formam o CNPEM são o Luz Síncrotron, estrutura multiuso que abriga o acelerador de partículas Sirius; o LNBIO, voltado às biociências; e o LNNano, voltado à nanotecnologia.

No entanto, apesar dessa grande estrutura e as dificuldades, apenas um dos quatro laboratórios nacionais que compõem o Centro teria sofrido com os cortes de equipe: o CTBE.

Fontes ouvidas pelo portal relatam que os acontecimentos dos últimos dias seriam resultado da decisão do diretor do CNPEM, Rogério Cerqueira Leite, que aos 86 anos de idade, acumula as funções de diretor geral e presidente do conselho de administração do centro de nacional de pesquisas.

Além das duas posições ocupadas no CNPEM, Cerqueira Leite é membro do conselho editorial e colunista do jornal Folha de São Paulo há quase 40 anos. Cargo que daria a ele “força política” no centro de ciência, de acordo com pessoas ligadas ao CNPEM.

Na carta encaminhada para o ministro do MCTIC, as organizações do setor de biocombustíveis destacam que o CTBE tem desenvolvido atividades fundamentais para o segmento.

Entre elas a produção de material especializado de alto nível em linguagem acessível ao empresariado, o desenvolvimento de workshops estratégicos para o alinhamento de agendas objetivas de trabalho dos principais agentes do setor, além da realização de grande número de contratos de desenvolvimento tecnológico, visando eliminar gargalos complexos de diversos processos produtivos.

As entidades ligadas à cadeia produtiva de etanol e biodiesel, consideram deplorável a “descontinuidade em tal gestão” e reforçam a preocupação com “a fragilidade institucional de um laboratório com tal importância estratégica para o País”, destaca o documento.

O texto ainda ressalta que o programa RenovaBio, aprovado na Câmara dos deputados no último dia 28, embute mecanismos de mercado que premiam e estimulam a inovação, especialmente no tocante à eficiência energética, produtiva e ambiental e à redução de emissões de carbono - as áreas de especialidade do CTBE.

Dessa maneira, o setor de biocombustíveis vê o laboratório nacional como componente-chave do fomento à inovação na indústria de biocombustíveis, em alinhamento direto com os propósitos e instrumentos do programa. “O RenovaBio torna, nesse contexto, imprescindível a continuidade do trabalho do CTBE, especialmente na linha reforçada sob sua última gestão”, afirma a carta.

 

Por Marina Gallucci 


Fonte: NovaCana.com (01/12)