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Shell planeja investir US$ 1 bi ao ano em energia limpa até 2020

A Royal Dutch Shell planeja investir até US$ 1 bilhão por ano em sua divisão de novas energias em meio à aceleração da transição para as energias renováveis e para os carros elétricos.

“Em algumas partes do mundo estamos começando a ver carros elétricos movidos a bateria começando a ganhar a aceitação do consumidor”, enquanto os custos das energias eólica e solar estão caindo rapidamente, disse o diretor executivo da Shell, Ben Van Beurden, em discurso, em Istambul, nesta segunda-feira.
“Tudo isso é uma boa notícia para o mundo e precisa acelerar”, e ainda oferece oportunidades para produtoras de combustíveis fósseis, acrescentou o executivo.

A Shell vê oportunidades nas células de combustíveis de hidrogênio, no gás natural liquefeito e na próxima geração de biocombustíveis para o transporte aéreo, para a navegação e para cargas pesadas — áreas de transporte para as quais as baterias são inadequadas.

Devido à natureza intermitente das energias eólica e solar, as usinas de energia movidas a gás natural terão importância a longo prazo, explicou Van Beurden.

DÚVIDAS SOBRE O NEGÓCIO
O executivo discursou no Congresso Mundial do Petróleo — uma reunião de ministros e diretores executivos de alguns dos maiores produtores de petróleo — em um momento em que a aceleração da transição para a energia limpa levanta dúvidas sobre seus modelos de negócio a longo prazo.

Enquanto o ministro da Energia russo, Alexander Novak, e o chefe da petroleira estatal saudita Saudi Arabian Oil Company (Aramco), Amin Nasser, disseram que o petróleo e o gás serão dominantes nas próximas décadas; Van Beurden destacou a possibilidade de que alguns dos países de mais rápido crescimento passem diretamente para uma matriz energética mais limpa.

“Ao considerar as áreas do mundo nas quais a demanda energética ainda está por expandir-se, como a Ásia e a África subsaariana, nota-se uma grande oportunidade”, observou Van Beurden. “Estas são áreas que não estão, no geral, presas a um sistema movido pelo carvão. Existe o potencial de que passem mais diretamente a um caminho para o desenvolvimento com menos uso de energia.”

Para o executivo da Shell, muitas vezes há um foco exagerado nas políticas de transição energética na Europa e na América do Norte e não nas do mundo em desenvolvimento, que cresce rapidamente.

“O que acontece na Inglaterra é importante, mas o que acontece na Etiópia é pelo menos tão importante quanto. Da Dinamarca à República Democrática do Congo, dos EUA a Uganda, à Índia e à China, há muito trabalho a fazer.”

Esses países ainda precisarão de combustíveis fósseis para desenvolver indústrias como as de aço, cimento e produtos químicos, porque necessitam de uma intensidade de calor que não se consegue apenas com eletricidade, avaliou ele.


Fonte: O Globo