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Sistema TempoCampo divulga boletim de julho

O mês de julho foi marcado pelo retorno das chuvas nos últimos dias do mês para regiões de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul que estavam sob seca há mais de dois meses. Apesar dos baixos volumes (Mapa 1), o rompimento da massa de ar seco que impedia a ocorrência de chuvas no Centro-Sul brasileiro traz esperança aos produtores pela recomposição da umidade do solo. A partir do mês de agosto já se inicia a expectativa pelo início do período chuvoso, o que normalmente ocorre entre outubro e novembro no Centro-Sul brasileiro e a ocorrência de chuvas em julho – algo bastante raro – melhora a expectativa dos produtores que que as chuvas cheguem mais cedo do que no ano passado e permitam a semeadura da soja e a retomada do crescimento dos canaviais ainda no mês de outubro.

A seca observada até a última semana de julho manteve a baixa umidade relativa do ar nos estados do Mato Grosso e Bahia. A colheita de algodão segue sem grandes problemas, com produtividades superando a última safra. O tempo seco (Mapa 2), em regiões como Sudeste e Centro-Oeste, vem também beneficiar a colheita das culturas do milho safrinha e do café, mas o forte estresse hídrico pode afetar os cafezais e pomares de citros quanto a produtividade da próxima safra. Outro ponto de importância para os cafezais e pomares está relacionada à possibilidade de florescimento nas próximas semanas por causa das chuvas do final de julho.

No sul do Brasil, o excesso de chuvas já prejudica as pastagens e os rebanhos gaúchos, devido à alta umidade do solo (mapa 2) e o pisoteio de animais. Apenas a aveia apresenta bom desenvolvimento até o momento, tornando-se a única opção de oferta de alimento volumoso para os rebanhos. Menores temperaturas (Mapa 3) também atrapalham as pastagens e campos adiando a rebrota. A área de cevada semeada no Paraná já ultrapassa 90% da área prevista para a cultura nesta safra. Com a ajuda da chuva, os produtores projetam aumento na produção da cultura. Algumas áreas já se apresentam em fase de desenvolvimento vegetativo graças a manutenção de temperaturas relativamente elevadas (em comparação com as médias históricas) (Mapa 3 e 4), acelerando o desenvolvimento da cultura.

Cana-de-açúcar

A estiagem no Centro-sul do Brasil que persiste desde o início de abril, vem afetando desde então as lavouras de cana-de-açúcar na região, especialmente aquelas previstas para colheita no final do período de safra. Essa condição tem contribuído para os trabalhos de corte e transporte na maior parte da região. A expectativa é de que a safra termine mais cedo em relação ao período normal e com produtividade nos canaviais bem abaixo daquela observada na safra passada. O coeficiente de produtividade climática (CPC) do Sistema Tempocampo indica que as regiões de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e Araraquara são os mais afetados pela estiagem neste ano, com perdas na faixa de 10%. Na média do estado de São Paulo e considerando todo o período de safra, a estimativa é de perdas na faixa de 4% em relação a safra passada no Estado.


Fonte: Esalq/USP