Clipping

Sphenophorus levis atravessa o Rio Grande, saí de São Paulo e invade Minas Gerais e Goiás

Postado em 22 de Abril de 2019

A atual principal praga dos canaviais paulistas, já causa perdas nos canaviais mineiros e goianos.

Em decorrência da dificuldade de controle e pelo índice de perda, que varia de 30% a 60%, podendo levar a renovação antecipada do canavial, o Sphenophorus levis (S levis) tornou-se a principal praga dos canaviais paulistas.  Estimativas apontam que, a cada 1% de tocos atacados, há a redução de 1 toneladas de cana por hectare. Além disso, em função da abertura de galerias na base dos colmos, ocorre o amarelecimento e secamento das folhas e morte dos perfilhos. Sob infestações altas, as touceiras morrem e são observadas muitas falhas na rebrota, reduzindo drasticamente a produtividade e a longevidade do canavial.

O Sphenophorus levis, o popular bicudo da cana, tem uma capacidade de voo restrita – máxima de 300m, o deslocamento do macho é de três metros por dia e da fêmea de cinco metros –, sugerindo que a dispersão do inseto a longas distâncias dá-se através das mudas retiradas de local infestado e transportadas por caminhão, por isso, dizem que o Sphenophorus voa curto, mas caminha a 80 quilômetros por hora. 

Pois é, apesar de voar curto, o bicudo da cana, atravessou o Rio Grande, saiu de São Paulo e já atinge os canaviais de Minas Gerais e Goiás, mais uma vez, o principal motivo da infestação foi a utilização de mudas sem procedência, que viajam de caminhão pelo Centro-Sul do país. Assim, o Sphenophorus já se encontra nos canaviais dos três maiores estados produtores do Brasil: São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

A orientação fundamental para quem vai formar canavial é plantar muda sadia. Além da sanidade das mudas, é fundamental a realizar o monitoramento do canavial, fazer amostragens e aplicar o Manejo Integrado de Pragas (MIP) para aumentar a eficiência do controle.

O MIP associa o ambiente e a dinâmica populacional da espécie, utiliza todas as técnicas apropriadas e métodos de forma tão compatível quanto possível, mantendo a população do Sphenophorus em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico.

Sem monitorar a densidade populacional de S. levis no campo, não há como se aplicar os princípios do MIP. Assim, recomenda-se iniciar o monitoramento mesmo antes de se iniciar o plantio. A frequência e o método de amostragem dependem da fase de desenvolvimento da cultura e do nível de precisão que se pretende conduzir o manejo. Quanto maior a frequência e tamanho da amostra melhor.

 


Fonte: CanaOnline