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Startups aumentam presença na feira

A incursão das startups no mundo do agronegócio ganha cada vez mais força. Na edição deste ano, a Agrishow vai reunir as novatas em uma espécie de arena. A organização selecionou um grupo para exposição permanente. Confirmadas estão as agtechs: Agrobrazil, Digital Farms, GoFarms, ModelWorks, Prime Field, SeeTree (de Israel), Smart Sensing e Sunalizer. "Os produtores querem conhecer os projetos", comenta Francisco Matturro, presidente da Agrishow. 

O interesse é mútuo. Recente levantamento da aceleradora de empresas Liga Ventures mapeia 307 agtechs brasileiras. A instituição filtrou as empresas levando em conta a atuação delas em áreas que vão da saúde e bem-estar animal à robótica aplicada no campo. De acordo com o estudo, a necessidade de ampliar a produção de alimentos pressiona o agronegócio para a transformação digital, criando espaço para softwares, sistemas e equipamentos capazes de reduzir custos e ampliar a produtividade. Não é à toa que a maior parte das startups está ligada à chamada agricultura 4.0, com soluções de análise de dados, agricultura de precisão, plataformas de comércio eletrônico, gestão de propriedades e de da produção.

Tradicional no ramo, o Grupo AgroHúngaro fundou uma startup que hoje é sua divisão digital: a Digital Farms. O objetivo da empresa é intensificar o uso de tecnologia nas propriedades rurais. "As fazendas investem em maquinário de ponta. Mas faltam soluções para transformar dados em negócios", explica o fundador Rafael Húngaro. De acordo com ele, há muitos aplicativos – nacionais e estrangeiros – no mercado, mas eles não entregam o serviço esperado pelo produtor. "É preciso vivência na roça para entender de que o produtor precisa. Só tecnologia não basta", diz.

Para desenvolver uma plataforma conectada às necessidades do produtor, a AgroHúngaro apostou no conhecimento agrícola. Com o sistema, o produtor tem acesso diário a mapas de satélite filtrados por um sistema de inteligência que fornece informações precisas sobre a sanidade e uso racional de fertilizantes e defensivos. "Nossa assertividade supera 90%."

Outra aposta está na parceria da Digital Farms com a Universidade de São Paulo (USP). Segundo Húngaro, uma equipe de programadores da instituição trabalha no desenvolvimento e calibragem dos algoritmos que estimam a produção agrícola. "É um trabalho contínuo. As condições mudam todos os dias", completa.

Para as engenheiras agrônomas Simone Brand e Caroline Rabelo Costa, o agronegócio entendeu que o aplicativo é apenas a ponta da solução. "O que vale mesmo é o banco de conhecimento agregado a ele", revelam. Elas apostam em anos de pesquisa e no acesso aos dados da USP e da Esalq para alimentar os algoritmos da solução fitossanitária da PlantCare, startup que acabaram de fundar. As duas já trabalham com avaliação de desempenho de insumos para produção – serviço tradicional nos laboratórios brasileiros. " A informação economiza tempo para a entrada de produtos no mercado", explica Caroline.

Por Ediane Tiago

 

 


Fonte: Valor Econômico