Clipping

Sumitomo reforça sua operação agrícola

Postado em 15 de Março de 2021

A japonesa Sumitomo Chemical, que desenvolve agrotóxicos com patente, projeta crescer de 10% a 12% na área agrícola, ambiental e de nutrição animal neste ano depois de faturar, em valores estimados, US$ 3,5 bilhões em 2020. O Brasil respondeu por cerca de US$ 1 bilhão desse montante, e a expectativa é que o país continue a puxar o crescimento da América Latina, onde a empresa adquiriu no ano passado, por US$ 1,27 bilhão, a operação da Nufarm.

O compra foi concluída praticamente um mês após o início da pandemia no Brasil, deixando em alerta Juan Agustin Ferreira Espinosa, presidente da Sumitomo Chemical na América Latina. “Confesso que fiquei bem preocupado no início. Tivemos que integrar as equipes remotamente, mas fomos bem-sucedidos”, diz. Um ano depois, ele respira aliviado: “Posso dizer que tivemos um bom desempenho, apesar da queda na rentabilidade em função do câmbio”.

Dos 824 funcionários na América Latina, 656 estão no Brasil. Menos de 150 deles tiveram que continuar trabalhando presencialmente na Sumitomo Chemical, fosse na planta de produção de Maracanaú (CE) ou no centro de pesquisas de Mogi Mirim (SP). “Produção e pesquisa foram as únicas áreas em que mantivemos o trabalho presencial”, diz Espinosa

Ao longo do ano, a companhia injetou R$ 50 milhões em Maracanaú (CE), onde fica o pátio de produção comprado da Nufarm. Os recursos foram para a construção de um novo centro de distribuição de 10 mil metros quadrados e de duas fábricas, uma de herbicidas e outra de fungicidas, já como parte da estratégia do grupo que prevê o lançamento de novos produtos. Com investimentos de US$ 300 milhões por ano em pesquisa e desenvolvimento, a área agrícola da Sumitomo espera ter quatro novos produtos disponíveis até 2025, incluindo biológicos (que representam 20% de seu portfólio global).

Um deles é o Excalia Max, fungicida para controle da ferrugem asiática que contém uma nova molécula e está em fase final de análise dos órgãos reguladores no Brasil, após quatro anos e meio de testes na Embrapa. No fim do ano passado, a companhia lançou um novo inseticida com dois modos de ação para combate a lagartas na soja, milho e algodão. Para facilitar a distribuição de produtos, os investimentos também incluíram centros de distribuição em Ariquemes (RO) e Querência (MT).

Com a integração dos ativos ainda em curso, a Sumitomo Chemical gerou R$ 3 milhões em sinergias com a Nufarm no ano passado e deve gerar outros R$ 5 milhões em 2021. Segundo Espinosa, praticamente não houve demissões porque as duas operações eram muito complementares. “Enquanto o time comercial da Sumitomo atendia pequenas companhias, o da Nufarm era focado em cooperativas e vendas diretas”, diz.

A compra dos ativos da australiana deflagrou o início da estratégia de verticalização da Sumitomo Chemical no Brasil. Por quase dez anos, a empresa recorreu a parcerias para colocar no mercado sua marca própria e agora o faz diretamente. Japão e América do Norte são, por ora, os principais mercados agrícolas para a empresa. A companhia, que também atua nas áreas de produção de químicos para indústrias de petróleo, energia, computação e farmacêuticas, faturou US$ 22 bilhões em 2020. 

 


Fonte: Valor Econômico