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Syngenta compra italiana Valagro e avança no mercado de biológicos de olho no Brasil

Postado em 6 de Outubro de 2020

Multinacional projeta que setor cresça cerca de 10% no país na próxima década devido ao solo e à rápida adoção de tecnologias

A multinacional suíça Syngenta anunciou que concluiu a compra da empresa de biológicos Valagro, com a finalidade de avançar no segmento e incrementar o portfólio de bioestimulantes e biocontrole.

Com sede na Itália, a Valagro teve receita aproximada de US$ 175 milhões em 2019, com uma taxa de crescimento anual de cerca de 10% de 2009 a 2019.

De olho neste desempenho, Corey Huck, head global de biológicos da Syngenta, diz que o setor de biológicos representa US$ 4 bilhões por ano ao redor do mundo, considerando a metade de bioestimulantes e a outra metade de controle biológico.

Ele planeja estar entre as três maiores empresas da indústria de biológicos do mundo até 2023 e liderar este mercado no longo prazo, “com um passo de cada vez”. “Esperamos que esse mercado cresça para cerca US$ 10 bilhões por volta de 2030 e vemos que parte deste avanço se deva mais a bioestimulantes do que biocontrole”, complementa.

A aquisição da multinacional resulta em uma combinação de cerca de 30 produtos entre as empresas, mas o executivo da Syngenta afirma que mais importante do que prever a quantidade de produtos ofertados é o desenvolvimento da ciência em escala global e a capacidade de adaptação regional.

Giuseppe Natale, CEO da Valagro, admite que há mais foco em nutrição vegetal e, portanto, o portfólio em controle biológico ainda é limitado. No entanto, ele prevê que “será uma área desenvolvida em sinergia com a Syngenta”, inclusive porque a empresa já investe cerca de 5% do total de volume de negócios em pesquisa e desenvolvimento.

Brasil entre prioridades
O Brasil já era um player importante para as empresas e, com a aquisição, passa a ser território estratégico para o desenvolvimento de novas soluções. Corey Huck, da Syngenta, acredita que o mercado de biológicos cresça cerca de 10% nos próximos 10 anos no Brasil devido ao solo e à adoção rápida de tecnologias pelo agricultor. Mas reforça que, para isso, o aumento de pesquisas científicas e a maior busca por sustentabilidade são fatores decisivos.

Giuseppe Natale conta que a Valagro está em solo brasileiro desde a década de 1990 e, com a aquisição, o país se consolida ainda mais como prioridade. “Estamos investindo diretamente no Brasil, onde temos nossa planta de produção na cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo, e de lá distribuímos para todo o país”, diz.

De acordo com ele, a agricultura brasileira tem todos os requisitos para aprimorar o uso de biológicos e contribuir com pesquisas em diferentes cenários. Como exemplo, Natale fala das características do café em diferentes regiões “por causa das peculiaridades do solo”. "É no Brasil que há a possibilidade de regionalizar produtos pensados em escala global”, afirma.

 


Fonte: Globo Rural