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Tecnologia abre espaço para avanço agronômico

"Graças às novas tecnologias, para ampliar sua produção o agricultor hoje pode conseguir melhores resultados analisando o que está acontecendo 25 centímetros abaixo de onde estão plantadas suas lavouras do que olhando para a propriedade ao lado". A constatação é de André Pessôa, sócio-diretor da Agroconsult, que vê nessa nova lógica uma mudança estrutural capaz inclusive de frear o ritmo de abertura de novas áreas de cultivo no Brasil e no mundo.

Com a experiência de quem promove todos os anos, desde o início da década passada, uma expedição técnica que percorre os principais polos do agronegócio nacional, Pessôa afirma que melhoria do solo, tratos culturais, manejo e monitoramento nunca puderam ser tão maximizados como agora, e que a tendência no campo é produzir mais em um prazo mais curto. "É uma oportunidade oferecida pelas novas tecnologias. Esta será a década da agronomia, que voltou a ser prioridade", afirma.

De acordo com Pessôa, já é possível incrementar a produtividade média de uma fazenda de soja de 50 sacas [de 60 quilos por hectare] para 70 sacas em apenas três ou quatro anos. "E é esse aumento de produtividade que, cada vez mais, puxará o crescimento da produção, até porque é uma maneira mais eficiente de ganhar dinheiro". Assim, provavelmente a expansão das fronteiras agrícolas será retardada", afirma Pessôa.

De acordo com o especialista, talvez 20% dos produtores do país já estejam fazendo essa "migração" de modelo de produção, mas certamente 50% querem começar a surfar essa onda, que ganha corpo e se difunde à medida em queda novas tecnologias mais acessíveis vão sendo lançadas no mercado. "Em conjunto com uma série de outras mudanças que estão em curso no campo, essas transformações facilitadas pela inovação vão fazendo o Brasil finalmente entender sua vocação", afirma ele.

Normalmente as mudanças às quais se refere Pessôa fazem parte de um "pacote" que também inclui capacitação, gestão, governança corporativa e disciplina financeira. E que vem sendo adotado por produtores em geral mais jovens, organizados, social e ambientalmente responsáveis e, de alguma forma, menos alavancados e mais livres do ponto de vista financeiro de tradings ou outras agroindústrias que ainda são muito importantes no financiamento da produção no país.

"Tudo isso resulta na melhora da imagem desse produtor rural, o que facilita o entendimento sobre a importância do setor para o país, sobretudo nos grandes centros urbanos. Isso é o que conseguimos enxergar hoje, mas pode ter certeza de que atrás da linha do horizonte tem mais água".

Por Fernando Lopes 


Fonte: Valor Econômico