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Tempestade perfeita no agro: entenda os desafios do setor em 2019 - Por Kelen Severo

Segundo o consultor em agronegócios, Carlos Cogo, o governo está bem atrapalhado com temas polêmicos como mudança da embaixada de Israel, medidas antidumping e crédito agrícola.

“Há pouco diálogo, medidas sem avaliação prévia dos impactos sobre o setor e um clima de insegurança. Na contramão do que o agro esperava ao apoiar o governo Bolsonaro”.

Rentabilidade

A rentabilidade da agropecuária vai ficar negativa em alguns pólos agrícolas, a exemplo de Cascavel (PR) e Dourados (MS), onde o produtor rural vai ter prejuízo neste ciclo 2018/2019. Levantamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) revela margem líquida negativa de R$ 51,47 por hectare em Cascavel e R$ 49,90 em Dourados (MS), fruto do aumento de custo (puxado por frete, fertilizante e óleo diesel) e perda de produtividade em lavouras castigadas por condições climáticas adversas.

O ano de 2019 está se mostrando um pouco mais difícil quando o tema é rentabilidade, afirma o economista Alexandre Mendonça de Barros.

“É um ano mais difícil que o ano passado por conta das quebras de produtividade na safra de soja, especialmente para quem formou custo com dólar ao redor de R$ 4,20 em 2019 e agora colhe a produção com moeda em torno de R$ 3,70. Dependendo da época em que o produtor comprou o insumo houve um achatamento de margem no café, na cana-de-açúcar, milho e soja”, explica.

A consultoria Safras & Mercado divulgou nesta sexta-feira uma nova estimativa para a produção de soja e cortou para 115,4 milhões de toneladas a previsão (ante 115,7 no levantamento anterior). “As maiores perdas da safra brasileira já foram contabilizadas. Estamos nos aproximando de uma consolidação da produção brasileira, explicou Luiz Fernando Gutierrez, analista de mercado.

Comércio Internacional

O Ministério do Comércio da China decidiu impor taxas antidumping entre 17,8% e 32,4% ao frango importado do Brasil por cinco anos a partir deste domingo, 17 de fevereiro. O governo chinês aceitou que algumas empresas brasileiras fiquem isentas das tarifas e o volume de embarques não deve ser impactado de acordo com o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal, Francisco Turra.

“Na vida prática, estamos pedindo habilitação de outras empresas a pedido da própria China. De 38 podemos chegar até 50. Para vender o produto que eles querem só habilitando mais plantas”, disse Turra que minimizou o impacto das tarifas para o mercado brasileiro. Segundo a assessora técnica da Comissão Nacional de Aves e Suínos da CNA, Ana Lígia Lenat, não deve ter alteração nos volumes exportados pelo Brasil para a China, que foi um dos países que mais comprou o produto brasileiro em 2018.

“Num primeiro momento isso está descartado, mas é preciso que continuemos monitorando o tema para que não ganhe mais importância”, explica.

El Niño está de volta

O NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) confirmou que o El Niño está de volta e a Somar Meteorologia alerta para um dos efeitos previstos: o corte das chuvas em áreas do Sul, Sudeste, Centro-Oeste do país a partir de março. Há importantes expectativas do setor agropecuário quanto à regularidade das chuvas para o pleno desenvolvimento da segunda safra de milho no Brasil. Analistas de mercado afirmam que o mercado climático é que vai ditar o rumo dos preços para a commoditie, que é uma das mais importantes para o agro nacional.

 

* Kelen Severo é jornalista especializada em economia e agronegócios. É âncora e editora-chefe do jornalístico Mercado & Cia, no Canal Rural. Pós-graduada em Economia pela FIPE/USP se especializou em Direito do Agronegócio no Insper e derivativos agrícolas pela BM&F Bovespa. Cursou Economia Comportamental na ESPM; Acumula experiência como consultora em documentários da HBO norte-americana; É colunista de finanças e carreira no jornal Zero Hora; Pesquisadora do GV Agro São Paulo. Foi premiada quatro vezes pelo trabalho que desenvolve como jornalista do setor.

 

 

 

 


Fonte: Canal Rural