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Tempo: Brasil tem calor recorde e ‘padrão de deserto’ em algumas áreas

Postado em 30 de Setembro de 2020

No nordeste de Mato Grosso do Sul, por exemplo, os termômetros chegaram a registrar temperatura máxima de 42,4 ºC

Boa parte do interior do Brasil está registrando calor recorde por causa da ausência de chuva, consequência do La Niña. No município de Paranaíba, nordeste de Mato Grosso do Sul, a temperatura máxima chegou a 42,4 °C, maior valor já registrado, superando os 41,6 °C verificados em 30 de outubro de 2012. Os termômetros em Jales, no noroeste paulista, bateram 41,1 °C, também recorde histórico, acima dos 40,9 °C observados também em 30 de outubro de 2012.

A umidade do ar está muito baixa em diversas áreas do interior do Brasil, com madrugadas de temperaturas amenas, um padrão típico de deserto. Essa condição persistirá, pelo menos, até o próximo fim de semana com o retorno da chuva em algumas áreas. A única exceção é a cidade de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, onde o dia amanheceu com mínima de 30 °C, considerada recorde para o ano. “Temperatura mínima com cara de máxima”, diz o meteorologista Celso Oliveira, da Somar.

O maior problema deste calor histórico é para as culturas perenes e semiperenes, como cana de açúcar, café e laranja. “A baixa umidade do solo e o calor absurdo podem diminuir um pouco da safra do ano que vem com o abortamento floral do café e da laranja. Também podemos ter morte de soqueiras mais novas ou áreas de cana-de-açúcar instaladas no primeiro semestre”, afirma Oliveira.

Setembro de 2020 está sendo o mês mais quente do ano. O desvio da temperatura máxima passa de 5 °C no Paraná, São Paulo e em algumas áreas do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso. “Comparado com o ano passado, setembro de 2020 está mais quente, mas diferente do ano anterior, quando o calor foi mais persistente, neste ano, a tendência é de temperatura mais baixa a partir da segunda semana de outubro na maior parte do centro-sul do Brasil”, conta o meteorologista.

Por outro lado, no Rio Grande do Sul, a reclamação está com a baixa radiação solar. A primeira quinzena de setembro foi mais nublada que o desejável e a virada de setembro para outubro mostra-se da mesma forma, diminuindo o ritmo de desenvolvimento e aumentando o risco de doenças em tabaco, milho e trigo. Além disso, o estado está enfrentando ondas de frio tardias que prolongam o ciclo do milho e podem atrasar a instalação da soja. No próximo fim de semana, há previsão de uma nova onda de frio. Não vamos ter geadas em áreas majoritárias de culturas importantes, mas as temperaturas baixas atrasam o desenvolvimento das lavouras.

Por Pryscilla Paiva


Fonte: Canal Rural