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Temporada passada foi mais "alcooleira", confirma Conab

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) elevou em 1,6% sua estimativa para a produção de cana no país na safra 2018/19, encerrada em março, para 625,17 milhões de toneladas. Em relação a 2017/18, o volume foi 1,3 menor.

Em seu relatório final sobre a temporada, a estatal creditou essa redução à queda da área de plantio, principalmente em razão da devolução de terras arrendadas na região Sudeste, e à menor produtividade dos canaviais, causada por problemas climáticos.

A área colhida foi de 8,59 milhões de hectares, 1,6% menor que a de 2017/18. Na região Sudeste, que lidera a produção nacional - São Paulo e Minas Gerais respondem por quase 64% da oferta total -, a colheita alcançou 402,8 milhões de toneladas, uma redução de 3,5%.

A produtividade média das lavouras do país foi calculada pela Conab em 72.785 quilos por hectare, 0,3% mais que na safra anterior. O resultado refletiu um aumento de produtividade no Nordeste, enquanto no Sudeste, principalmente em São Paulo, o tempo quente e a estiagem do meio do ano fizeram a média ficar em 75.212 kg/ha.

O açúcar total recuperável (ATR) da safra - que representa a qualidade da cana - ficou em 144,7 quilos por tonelada, aumento de 5,8% em relação à temporada anterior.

A Conab também confirmou que a maior parte da moagem da safra foi destinada à produção de etanol (63,6%), que durante a maior parte do ano remunerou melhor as usinas do que o açúcar. Assim, o país produziu um volume recorde do biocombustível - 33,58 bilhões de litros, 23,3% mais que no ciclo anterior.

Desse total, 22,99 bilhões de litros foram de hidratado, ou seja, 41,5% do total e também um recorde. No caso do anidro, que é misturado à gasolina, a produção ficou em 10,59 bilhões de litros, 3,7% menor que no período antecedente.

De acordo com o superintendente de informações do agronegócio da Conab, Cleverton Santana, o aumento na produção de etanol nesta safra deveu-se, principalmente, à queda de preços do açúcar no mercado internacional e a um cenário mais favorável para o etanol no mercado interno, em meio às altas do dólar e do petróleo.

A produção de açúcar foi estimada pela Conab em 31,35 milhões de toneladas, um decréscimo de 17,2% se comparado ao resultado da temporada 2017/18.

 


Fonte: Valor Econômico