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Tradings globais lançam no Brasil iniciativa para gerenciar fluxo de commodities

Postado em 25 de Fevereiro de 2021

A plataforma de troca de informações entre importadores e exportadores de grãos Covantis foi lançada hoje no Brasil. Joint-venture formada pelas maiores tradings do mundo, ela foi idealizada e financiada pelas americanas Bunge, Cargill e ADM, a francesa Louis Dreyfus Company (LDC), a estatal chinesa Cofco International e a múlti holandesa Glencore Agriculture.

O objetivo da iniciativa é facilitar a comunicação entre os elos da cadeia graneleira a partir do momento da entrega da carga nos portos, informatizando a troca de atualizações sobre os navios e as mercadorias, o que hoje ocorre de forma manual. Na área de tecnologia, estão sendo usados os serviços da ConsenSys, Microsoft Azure Cloud e Cognizant.

Os primeiros passos na construção da Covantis foram dados há dois anos, quando as tradings iniciaram conversas para transformar o sistema de comércio global de grãos, que mudou muito pouco no último século. “Foi um processo estimulante explorar e compreender as necessidades do mercado e construir uma rede digital segura e confiável”, Petya Sechanov CEO da iniciativa, em nota.

O Brasil será o primeiro campo de testes da Covantis, que visa a aumentar a eficiência e reduzir o risco operacional das tradings. O escopo inicial compreende a digitalização de informações sobre o embarque de commodities a granel, como milho e soja, do país para qualquer lugar do mundo.

Os primeiros usuários da plataforma serão seus membros fundadores e centenas de funcionários de mais de 30 entidades. Todos receberam treinamento virtual. Nos próximos meses, a ideia é ampliar a rede de empresas participantes e integrar outros players da cadeia.

Nesse mercado, embora apenas o comprador final e o remetente tenham contato com a carga física, dezenas de intermediários agem para a mágica dos envios de grãos acontecer. São pessoas que trocam nomeações de navios e avisos contratuais, enviam e recebem instruções sobre documentos e tratam da disponibilidade da mercadoria que é embarcada.

Dentro das tradings, o processo gera fluxos um tanto desordenados, que são gerenciados por e-mail, telefone e WhatsApp. Datas de chegada e partida, bandeiras de navios e volumes de mercadorias circulam sem parar, sobretudo nos picos de safra. E a cada erro desses “times de execução”, despesas e multas incorrem todos os dias.

Atualmente, de acordo com Petya, 70% do tempo dessas equipes é gasto com trocas de dados e outros 25% buscando ou deletando informações e, mesmo assim, pelo menos 5% dos avisos de chegada dos navios contêm inconsistências ou atrasam, isso quando não se perdem no processo.

Na Covantis, essas mensagens passaram a ser organizadas e criptografadas usando tecnologia blockchain, que evita fraudes e garante a segurança das informações. Alertas e notificações também facilitaram o apoio aos times de dentro das empresas.

Segundo a CEO da iniciativa, a ambição da Covantis é reunir, gradualmente, todos os embarques de grãos e oleaginosas a granel de suas fundadoras no mundo. Argentina e Estados Unidos são os países onde a solução deve ser adotada depois do Brasil.

Petya esclarece que o intuito nunca foi virar uma plataforma de negociação de commodities. “Nosso escopo está no fluxo do porto até o destino, até a carga ser entregue, descarregada e paga pelos compradores finais”, disse ao Valor em entrevista ainda quando da preparação para o lançamento.


Fonte: Valor Econômico