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UE aprova a venda de glifosato por mais 5 anos

Após meses de discussão e um tenso debate sobre riscos à saúde humana, a União Europeia aprovou ontem a comercialização do herbicida glifosato por mais cinco anos. Na última hora, a Alemanha mudou de posição e se opôs à França, que defendia um período menor de extensão para a comercialização do agroquímico no bloco europeu. Nas reuniões anteriores, a Alemanha vinha tentando manter a neutralidade.

Segundo a Comissão Europeia, braço-executivo da UE, 18 países apoiaram a proposta de renovar a licença do produto, nove votaram contra e um se absteve. Eram necessários 16 votos para aprovar a extensão da comercialização.

Contrário ao glifosato, o presidente francês Emmanuel Macron disse que tomaria todas as medidas necessárias para garantir que o herbicida seja banido da França assim que uma alternativa a ele estiver disponível. E deu o prazo de três anos – o mesmo que defendia para a renovação de licença comercial – para que isso ocorra.

Apesar da prorrogação aprovada pelo bloco, as regras da UE permitem que a França proíba unilateralmente o uso da substância.

As autoridades europeias vinham há meses protagonizando uma queda de braço sobre o que fazer com o herbicida, desenvolvido décadas atrás pela multinacional americana Monsanto e hoje altamente utilizado na produção agrícola mundial. A licença comercial do glifosato, vendido sob a marca Roundup, venceria em 15 de dezembro.

Embora seja amplamente usado no campo, o glifosato foi colocado em xeque após a declaração, em 2015, da Organização Mundial da Saúde (OMS), de que ele provavelmente causa câncer.

Com isso, a UE concordou em estender o seu uso por apenas 18 meses, na expectativa da publicação dos resultados de um novo estudo da Agência Europeia de Químicos. Em março, a entidade afirmou que não havia evidências que associassem o glifosato a casos de câncer em humanos.

O glifosato começou a ser comercializado pela Monsanto em 1974. Sua patente perdeu a validade em 2000 e, por isso, o princípio ativo é comercializada atualmente por diversos fabricantes.

Por Bettina Barros 


Fonte: Valor Econômico