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Usina Batatais aumentará moagem de cana e elevará aposta em etanol

A Usina Batatais, que tem duas unidades sucroalcooleiras no Estado de São Paulo, deverá elevar marginalmente sua moagem de cana na safra 2018/19 em razão de um aumento da área de colheita, e espera aproveitar o processamento para priorizar o etanol. Foi o que afirmou a jornalistas Bernardo Biagi, presidente da companhia, no intervalo de um evento da consultoria Datagro em Ribeirão Preto.

A área de colheita deverá registrar expansão de 5%, para 88 mil hectares, e com isso o grupo projeta processar 7,18 milhões de toneladas no próximo ciclo, 2% mais que em 2017/18. A moagem não será maior porque é esperada uma retração de 2% na concentração de açúcares na cana (ATR), para 133,1 quilos por tonelada de cana moída.

As duas usinas da Batatais já deram início aos trabalhos de processamento neste ano. Mas a unidade localizada no município de Lins só está produzindo etanol, e assim deverá continuar por mais 40 dias. “A região de Lins foi muito seca no ano passado, então não teve cana bisada [sobra]. Estamos processando cana nova”, disse Biagi. Além disso, afirmou, os preços do etanol estão muito favoráveis e justificam a estratégia.Já a usina localizada no município de Batatais já está produzindo tanto açúcar como etanol, e a plena capacidade, já que os canaviais da região ainda estão com cana bisada.

Como a maior parte do segmento, a Usina Batatais deverá reduzir seu mix açucareiro em 2018/19, já que o etanol está oferecendo uma remuneração maior que o açúcar, que está sendo negociado a valores abaixo do custo de produção.

O preço atual do açúcar na bolsa de Nova York, em torno de 12,5 centavos de dólar a libra-peso, está abaixo do custo médio de produção das duas usinas da Batatais, que gira em torno de 15 centavos de dólar a libra-peso. A empresa só não terá prejuízo com todas as vendas de açúcar porque 45% do volume que deverá ser produzido já teve o preço fixado a valores maiores. O preço médio dessas vendas ficou equivalente a 16,50 centavos de dólar a libra-peso.

A princípio, a produção de açúcar deverá ficar em 9,9 milhões de sacas de 50 quilos, 18% menos do que no ciclo anterior, corresponde a um mix açucareiro de 47%. Porém, Biagi afirma que esse percentual poderá ser até menor. Em 2017/18, foram 54%. Para o etanol, a projeção da companhia é de que a produção total aumente 17%, para 314 milhões de litros. 


Fonte: Valor Econômico