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Usina da Biosev em MS suspende moagem e unidade da Atvos reduz atividades

Postado em 25 de Março de 2020

Uma usina da Biosev localizada em Rio Brilhante (MS), está paralisada desde ontem e uma unidade da Atvos reduziu o ritmo de atividades depois que a prefeitura da cidade decidiu suspender o transporte coletivo de pessoas no município, o que está afetando o acesso de trabalhadores aos locais de trabalho.

O decreto do prefeito Donato Lopes da Silva editado na sexta-feira, com validade desde segunda-feira, suspendeu “todo o transporte coletivo de pessoas dentro do perímetro municipal” como parte das medidas adotadas para impedir o avanço do novo coronavírus. A medida foi estendida aos serviços de transporte fornecido pelas indústrias através de empresas terceirizadas.

Com isso, a usina da Biosev, controlada pela francesa Louis Dreyfus Company (LDC), teve que suspender as atividades, conforme apurou o Valor. Em nota à reportagem, a companhia disse que suas operações se enquadram como atividade essencial, conforme previsto no decreto federal editado ontem, e que portanto não deveriam estar sujeitas a paralisações, e informou e que está trabalhando “junto à prefeitura da cidade para obter as autorizações necessárias para continuar operando”.

“A Biosev esclarece que as operações da companhia se enquadram no Decreto Federal No. 10.282, de 20 de março de 2020, que reconhece as atividades de produção e distribuição de comercialização de combustíveis e derivados como essencial e indispensável ao atendimento da necessidade da população e, portanto, não passíveis de paralisação”.

A companhia também afirmou na nota que “permanece focada em cumprir com todos os compromissos assumidos com colaboradores, comunidades, investidores, clientes e fornecedores, priorizando o objetivo de preservar a saúde, segurança e bem-estar de todos”.
A Atvos, braço sucroalooleiro da Odebrecht, disse, em nota ao Valor, que está “respeitando o decreto”, mas que “foi afetada somente uma frente de um dos fornecedores, por isso, a operação segue sem grandes impactos”. A unidade da companhia na cidade possui capacidade de processar até 3,5 milhões de tonelada de cana por safra.

Seu fluxo de recebimento de cana-de-açúcar, porém, pode ser afetado neste momento. Isso porque sua principal fornecedora da gramínea na região, a ACP Bioenergia, não está executando colheita e transporte de cana à usina por causa do decreto municipal, conforme apurou a reportagem.

Dona de lavouras de cana em importantes regiões do Centro-Sul e com um polo em Rio Brilhante de 12,5 mil hectares, a ACP está há dois dias sem realizar colheita por falta de mão de obra. Segundo fontes da empresa, cada dia parado, neste momento da safra, são cerca de 3,5 toneladas de cana sem colher e entregar à unidade. No pico da safra, porém, o ritmo da colheita chega a 5,5 toneladas por dia.

O pagamento da Atvos pela cana é feito mensalmente e, por enquanto, não há previsão de problemas no pagamento à ACP nem da empresa de fornecimento de cana aos seus trabalhadores. Mas a situação pode mudar se a suspensão das atividades se prolongar.


Fonte: Valor Econômico