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Usina Guaxuma pode voltar a operar nos próximos meses

Dois meses após ter desistido do negócio, a Usina Coruripe voltou atrás e informou à Justiça que vai manter o arrendamento da Usina Guaxuma, integrante da massa falida do antigo império de João Lyra, mas sem associação com a Biovertis Produção Agrícola. Como consta nos autos do processo, a empresa terá o prazo de um mês para a renovação dos termos contratuais. Em março deste ano, a Usina Coruripe e a Biovertis declararam a impossibilidade de arcar com o contrato de arrendamento. 

Isso porque passados mais de seis meses desde a assinatura dos contratos, as empresas alegaram que a relação contratual não se aperfeiçoou. O argumento foi que as obrigações contratuais se apresentam impraticáveis. Os contratos previam o início dos trabalhos ainda em 2016 para o plantio e a preparação do solo, o que não aconteceu.

Outro ponto levado em consideração foiquanto à deterioração das instalações da Guaxuma, que ao permanecerem sem qualquer manutenção, exigiriam do consórcio maiores investimentos para a retomada da operação do que era previsto em 2016. 

“Em razão do nítido descompasso entre o momento de assinatura dos contratos e da incerta execução de obrigações realizadas, o consórcio não suportará esse grave desequilíbrio contratual”, concluíram as empresas à época. Sem contar que em janeiro, as empresas relataram à Justiça que estavam impedidas de operar por causa de invasões nas terras arrendadas por movimentos sociais.

Localizada na cidade de Coruripe, as divergências por terras da Guaxuma ocorrem até entre os movimentos. Uma reportagem publicada pelo EXTRA ALAGOAS mostrou que bandeiras da Via do Trabalho e do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que estão na área há mais de três anos em acampamentos e abrigam cerca de 500 famílias, aguardam a reforma agrária na antiga posse do ex-usineiro João Lyra. 

Integrantes do Movimento de Luta pela Transformação Social (MLTS) e do Movimento Social de Luta (MSL), com aproximadamente 350 famílias, mas que estão nas terras desde novembro de 2016, também pleiteam pelos mesmos direitos. A situação incerta se estende também ao governo do Estado e à Justiça alagoana. 

Se por sua vez o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) informa que irá acionar a atual administradora da massa falida do Grupo João Lyra, a empresa Lindoso e Araújo Consultoria Empresarial Ltda, para analisar a destinação das terras da Usina Laginha para a reforma agrária, Renan Filho vai além e já promete que a aquisição das áreas de usinas do Grupo João Lyra será “a maior reforma agrária da história de Alagoas”. 

MASSA CARA
A Lindoso e Araújo pediu à Justiça autorização para pagamentos das despesas da Massa Falida referentes ao período do mês de maio no valor de R$ 438.975,87. E através de petição ainda informou que, após a homologação da aquisição do fundo de comércio da Mapel pela JRCA, desempenhou atividades operacionais, procedeu com os atos necessários para atualizar a contabilidade da Mapel e analisou o instrumento de distrato de concessão comercial da bandeira Volkswagen.

Sendo assim, discriminou mais despesas que totalizam o valor de R$ 35.671,39. Além disso, declarou que há duas contas-correntes de titularidade da Mapel, com saldo que soma R$ 145.701,58 requerendo autorização para o pagamento das referidas despesas com os recursos deste saldoao qual não tem acesso.

A autorização para pagamento de despesas operacionais com os recursos em conta-corrente da Mapel foi deferida pelo juiz que preside o processo de falência, devendo a Administradora Judicial adotar as providências para o pagamento das despesas, sendo que os respectivos comprovantes de pagamentos constar da próxima prestação de contas.

LEILÃO
Já foi nomeado o leiloeiro que irá executar a venda das usinas Vale do Paranaíba e Triálcool, ambas situadas em Minas Gerais e que também integravam o patrimônio de João Lyra. Trata-se de de Renato Schlobach Moysés, leiloeiro oficial registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp). 

Ele deverá providenciar nova avaliação dos imóveis e dos parques fabris, expedindo, em seguida, o edital de leilão.


Fonte: Jornal Extra (AL)