Clipping

Usinas como a de Lucas tirariam necessidade de políticas de preços

O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, afirmou hoje durante a inauguração da usina de etanol da FS Bioenergia, em Lucas do Rio Verde (360 quilômetros ao norte de Cuiabá), que a unidade vai ajudar a resolver, e muito, o problema de renda dos produtores locais de milho. Segundo ele, o ideal era que novas plantas como essa estivessem em operação.
“Esse projeto é um reforço para a economia, por aproveitar o milho para produção de etanol e ainda transformar os resíduos em matéria-prima de alta proteína para fabricação de ração animal”, afirmou.
“Fiz questão de que o presidente [Michel] Temer viesse conhecer essa nova realidade in loco para ele, como gestor, possa ajudar a difundir esse projeto e que outras usinas possam virar realidade em Mato Grosso e no Brasil, especialmente por proporcionar valor ao produto e assim, incentivar a produção”, acrescentou. Ainda conforme o ministro, a usina completa um ciclo da produção no Estado.
Ele citou que, por ano, o governo federal desembolsa cerca de R$ 1 bilhão com a política de sustentação de preços ao realizar, no caso do milho, leilões de compras para manter ao produtor um valor médio de rentabilidade, ou no caso do produtor de Mato Grosso, prejudicado pela logística, apenas para cobrir custos.
“Um empreendimento como essa nova usina, se multiplicada por dez unidades, demandaria um consumo de 6 milhões de toneladas, basicamente o volume que fica no mercado interno de Mato Grosso, deprimindo as cotações. Ao enxugar do mercado esse excedente, não haveria necessidade de recursos para sustentação de preços, por parte do governo federal e esse valor poderia ser revertida para outras demandas do setor”, atestou.
Ainda como reforçou Blairo, a chegada de novas usinas como a da FS Bioenergia vai contribuir até mesmo para revisão da política agrícola do governo federal, que praticamente todo ano tem que socorrer os produtores, comprar parte da produção para sustentar o preço em um patamar mínimo de viabilidade financeira. “O que não podemos mais é colher mais de 230 milhões de toneladas em um ciclo e no outro cair a cerca de 190 milhões de toneladas porque os preços, espacialmente do milho, não remuneram”.
Além de enxugar excessos e garantir uma demanda permanente pelo cereal, Blairo citou a importância do investimento na planta, de R$ 450 milhões, que multiplicado por dez unidades geraria inúmeros postos de trabalho e renda às pessoas e às cidades.
Para o ministro, a produção mato-grossense não pode se basear em soja sobre soja, com o milho servindo apenas para sustentar a soja. Conforme Blairo, o milho precisa ter um valor fixado em um patamar que garanta remuneração a quem planta. “No Brasil, temos potencial de chegar a 200 milhões de toneladas de milho, sem interferir no ciclo da soja. No entanto, o que vamos fazer com tanto milho, se o destino não for a verticalização dele?”.
Nessa safra, Mato Grosso, por exemplo, está colhendo 50% a mais do que produziu em segunda safra no ano passado e o reflexo disso é a queda dos preços ao produtor, com a saca valendo R$ 12 a R$ 13 a saca, o que segundo o setor, não cobre custos.
Conforme dados do Instituto mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), na comparação com o mesmo momento do ano passado, há uma defasagem de preços de mais de 60%, já que em 2016 a cotação média desta semana era de R$ 29,90 para a saca de 60 quilos e agora está em R$ 11,89.
Mato Grosso é o maior produtor de grãos e fibra do país, com previsão de colher nessa safra mais de 50 milhões de toneladas. Na região de Lucas do Rio Verde, que abrange um raio de 150 quilômetros raio de produção, englobando outras cidades como Nova Mutum, oferta 8 milhões de toneladas de soja e 10 milhões de toneladas de milho. 

Fonte: Valor Econômico